Polícia faz ato contra Doria após anúncio de reajuste salarial

Pacote de segurança do governo é criticado pela categoria; mobilização será realizada na segunda-feira (4)

Laísa Dall'Agnol
São Paulo

Representantes das polícias Militar e Civil e dos agentes prisionais realizam, na próxima segunda-feira (4), uma mobilização contra as medidas do pacote de segurança pública anunciadas pelo governador João Doria (PSDB).

A categoria se queixa, principalmente, do reajuste salarial de 5% a partir de janeiro de 2020 que será concedido pelo estado a todo o efetivo da segurança, o que inclui policiais militares, civis e técnico-científicos e agentes de segurança, escolta e vigilância penitenciária. 

As críticas têm como base o fato de que, durante a campanha, o governador prometeu elevar salários dos policiais para que ficassem entre os melhores do país. Hoje, o quadro do estado tem um dos piores vencimentos.

De acordo com ranking salarial divulgado pelo Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo), a remuneração de um delegado de polícia hoje, em São Paulo, coloca a categoria em penúltimo lugar na lista que compara todos os estados, ficando atrás apenas de Pernambuco. O mesmo vale para outros cargos, como escrivão e investigador.

A remuneração de servidores da segurança é composta, além do salário-base, pelo RETP (Gratificação pelo Regime Especial de Trabalho Policial), que, somados, formam o salário inicial.

O aumento salarial a ser concedido representará um acréscimo de R$ 110 no salário-base de carreiras como a de investigador, no que diz respeito ao vencimento inicial, e de R$ 72 para policiais militares ingressando na área, descontados valores "extras" de frequência, como diárias.

O ato programado para a segunda-feira deve ocorrer a partir das 14h, simultaneamente no Quartel General da Polícia Militar, na Delegacia-Geral e na Secretaria de Estado da Administração Penitenciária. De lá, os agentes devem seguir para a sede da SSP (Secretaria da Segurança Pública).

"Esta união é inédita. Toda a força de segurança do estado de São Paulo, a Polícia Civil e a Polícia Militar, juntamente com senadores e parlamentares, nos reunimos e deliberamos por esse grande ato", diz Raquel Kobashi, presidente do Sindpesp.

Foto mostra Major Olímpio ao lado de representantes da categoria policial
Representantes das polícias Militar e Civil e dos agentes prisionais realizam, na próxima segunda-feira (4), mobilização contra medidas do pacote de segurança pública anunciadas pelo governador João Doria (PSDB) - Divulgação/Sindpesp

Além do reajuste, outros itens do pacote de segurança do governo, como o vale-alimentação, que será equiparado para todas as categorias, também são alvo de críticas.

 

"Todas as medidas estão abaixo das reais necessidades da classe. O policial civil já recebe, no máximo, R$ 240 por mês, ou seja, menos de R$ 11 por dia de trabalho de tíquete-alimentação. Como qualquer trabalhador, merece receber dignamente para que possa fazer, ao menos, uma alimentação por dia", diz Kobashi.

Durante o anúncio do pacote de medidas da segurança pública, na última quarta-feira (30), o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM) afirmou que o atual governo recebeu um déficit orçamentário da gestão anterior.

“Só a Previdência estadual tem um rombo de R$ 23 bilhões. Por isso, estamos num cenário de contenção de despesas, com a extinção de secretarias, empresas estatais e gastos com folha de pagamento.”

Desafeto

O ato organizado por entidades da classe policial é apoiado pelo senador Major Olímpio (PSL-SP), que tem feito duras críticas a Doria.

O último capítulo da desavença entre os dois ocorreu em outubro, após Doria ser vaiado por policiais militares da reserva e chamá-los de "vagabundos", durante evento em Taubaté (140 km de SP).

O governador acusou Major Olímpio de estar por trás do ato do grupo, que trazia cartazes em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PSL).

“Vai cobrar do Major Olímpio seus 'duzentinho' para vir aqui falar bobagem no microfone. Vai pra casa, aposentado", disse Doria na ocasião.

Major Olímpio rebateu. "Primeiro, eu não tenho dinheiro para pagar ninguém, segundo, eu nunca precisei. Essas pessoas estão aí porque a família policial está passando necessidade. Os governos do PSDB e você, na sequência, destruíram essas pessoas. Eles não são vagabundos, não”, declarou o senador em rede social.

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