Carteiros da capital e da Grande SP aderem à greve dos Correios

Ao menos 70% da categoria participa da paralisação, segundo o sindicato

São Paulo

Cerca de 12,6 mil funcionários dos Correios na capital, Grande São Paulo e região de Sorocaba estão em greve por tempo indeterminado a partir desta terça-feira (18), segundo o Sintect (Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de São Paulo, Grande São Paulo e zona postal de Sorocaba).

O número equivale a aproximadamente 70% da categoria na região. A paralisação ocorre em todo o Brasil e, de acordo com os sindicatos, é motivada pela redução nos direitos dos trabalhadores.

Carteiros também pararam em setembro de 2019, pela aprovação do acordo coletivo da categoria - Rivaldo Gomes/Folhapress

A Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios) diz que a paralisação foi definida porque a empresa estatal não respeitou o acordo coletivo celebrado com a categoria no ano passado, que era válido até 2021. Porém, os Correios conseguiram uma liminar que reduziu a validade do acordo coletivo para apenas por um ano, limitado a 2020.

Os sindicalistas afirmam que a empresa propôs a exclusão de 70 das 79 cláusulas do acordo aprovado no ano passado, retirando benefícios. Entre os direitos suprimidos estão o fim da licença-maternidade de 180 dias e a extinção de adicional de risco de 30%, além de diminuição do vale-alimentação.

Diretor da Findect e do Sintect-SP (sindicato dos funcionários dos Correios em São Paulo), Douglas Melo afirma que os Correios também elevaram o valor pago pelos trabalhadores pelo plano de saúde.

Segundo ele, o TST (Tribunal Superior do Trabalho) havia definido que a estatal custeasse 70% do valor com o convênio médico, enquanto os funcionários bancavam 30%.

"Esse aumento fez com que 34 mil trabalhadores dos Correios em todo o Brasil abandonassem o plano de saúde em plena pandemia, porque não tinham condições de pagar", afirma Melo. Segundo ele, 31 funcionários da estatal morreram em decorrência da Covid-19 na capital, grande São Paulo e região de Sorocaba.

Os trabalhadores também protestam contra a possibilidade de privatização dos Correios, que vem sendo discutida pelo governo federal.

Por fim, Melo acusa a empresa de não manter um canal para negociação com os trabalhadores. "O julgamento do STF [Supremo Tribunal Federal] que vai julgar a validade desse acordo vai ocorrer no dia 21. Antes mesmo disso, eles já impuseram essa redução", critica.

Nesta quarta-feira (19), os trabalhadores farão uma carreata a partir das 10h, com concentração em frente ao estádio do Pacaembu. "A ideia é mostrar à população o porquê dessa greve", diz Melo.

Resposta

Em balanço enviado após as 17h desta terça (18), os Correios informam que 83% dos seus funcionários estão trabalhando normalmente no Brasil. A empresa diz ter adotado um Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população.

"Medidas como o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões estão sendo adotadas", afirma a companhia, que assegura que serviços como Sedex e PAC continuam sendo postados e entregues em todos os municípios.

Por meio de nota, a estatal afirma ainda que não pretende "suprimir direitos dos empregados". "A empresa propõe ajustes dos benefícios concedidos ao que está previsto na CLT e em outras legislações, resguardando os vencimentos dos empregados conforme contracheques em anexo que comprovam tais afirmações."

"Desde o início das negociações com as entidades sindicais, os Correios tiveram um objetivo primordial: cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia", acrescenta a empresa.

De acordo com os Correios, as medidas de contenção que estão sendo tomadas garantiram redução de despesas na ordem de R$ 600 bilhões por ano. A estatal diz que, se todas as reivindicações dos sindicatos fossem acatadas, os custos seriam de R$ 1 bilhão, o que, segundo a empresa, corresponde a dez vezes o lucro de 2019. "Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida".

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