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Alunos enfrentam problemas para revalidar BOM Escolar

Cartão dá direito à meia tarifa ou passe livre e é usado nos ônibus do transporte público intermunicipal

Elaine Granconato
São Paulo

Estudantes têm esbarrado na burocracia e encontrado dificuldades para revalidar o cartão BOM (Bilhete Ônibus Metropolitano) Escolar neste ano. O benefício dá direito à meia tarifa ou ao passe livre _no último caso, ao aluno que se enquadrar no critério de baixa renda_, e é utilizado nos ônibus do transporte público intermunicipal presente em cinco regiões metropolitanas do estado: São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba/Litoral Norte, Campinas e Sorocaba.

Entre as dezenas de queixas da classe estudantil que foram registradas inclusive em site específico de reclamações estão desde problemas de não alteração de dados cadastrais no site da EMTU (Empresa Metropolitana de Transporte Urbano) até a falta de um canal para comunicação. Alguns tentam contato pelo telefone, mas o atendimento é feito apenas por mensagens eletrônicas e não conseguem resolver as pendências.

mulher de cabelos enrolados, em frente a um computador, segurando um bilhete BOM Escolar
A estudante Thais de Lima Santiago, 26 anos, com o cartão do BOM Escolar; ela tenta há dois meses renovar o passe livre - Ronny Santos/Folhapress

É o caso da universitária Kaline Mangueira, 19 anos, que faz o curso de astronomia em universidade de Santo André e mora no Jardim Detroit, em São Bernardo do Campo (ambas cidades no ABC). “Já mandei todos os documentos, inclusive declaração de pobreza, mas nada é aceito. Tentei ligar, mas a mensagem é gravada”.

​Kaline pleiteia o passe livre, benefício utilizado em 2018. Segundo a estudante, o custo gasto mensal com as passagens de ida e volta tem sido de R$ 240, bancado, com dificuldade pelo pai, o único que trabalha na casa.

Universitário de engenharia civil em Guarulhos (Grande São Paulo), Felipe de Andrade Vicente, 31 anos, pagou pela taxa de revalidação (R$ 22,05) da meia tarifa no último dia 15, mas só liberarão o passe daqui um mês. “O que acho um absurdo”, diz o morador da Vila Carrão (zona leste de São Paulo). E acrescenta, em tom de crítica: “O processo é todo engessado”, diz.

Só tem direito ao benefício o estudante que residir em um município e estudar em outro. Neste ano, até o momento, foram autorizadas 62.812 gratuidades, das quais 38.589 são passes livres e 24.223 referentes a passes escolares, segundo informação da EMTU.

O governo do estado destina, em média, R$ 4 milhões por mês para subsidiar o passe livre.

É na base do dinheiro emprestado com familiares que a universitária Thais de Lima Santiago, 26 anos, do Parque Selecta, em São Bernardo do Campo (ABC), tem bancado as tarifas do ônibus que pega, diariamente, para ir e voltar da Unip (Universidade Paulista) - Anchieta, em São Paulo, onde faz arquitetura.

Há quase dois meses, Thais tenta recadastrar seu passe livre. “Cada hora é uma. Agora, querem que eu tenha o meu nome na conta de água ou de luz, mas está no da minha mãe”, diz.

Resposta

A EMTU, da gestão João Doria (PSDB), diz em nota que a falta de documentos comprobatórios ou preenchimento incorreto do formulário eletrônico são os principais motivos dos indeferimentos das gratuidades.

A empresa recomenda que o estudante ou o responsável leia o regulamento no endereço (www.emtu.sp.gov.br/ passe/indexregiao.htm), para “evitar contratempos na emissão do benefício”.

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