Polícia mata 11 suspeitos de assalto a banco em Guararema

Promotoria interceptou ligações de quadrilha planejando o crime

Alfredo Henrique
São Paulo

​Onze criminosos foram mortos pela Polícia Militar após explodirem duas agências bancárias, por volta das 3h desta quinta-feira (4), no centro de Guararema (Grande SP). Três suspeitos foram presos. Nenhuma quantia em dinheiro foi levada das agências.

Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), gestão João Doria (PSDB), o Ministério Público interceptou conversas telefônicas entre criminosos, que planejavam furtar bancos da região. A data da ação foi informada à Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), que ficou de prontidão para agir quando fosse necessário.

Por volta das 3h, entre 20 e 25 criminosos entraram na cidade, em ao menos cinco carros, sendo dois blindados. A cidade conta com mais de cem câmeras de monitoramento, que registraram a chegada da quadrilha.

Após o bando explodir as duas agências, PMs da cidade foram até os locais, onde, segundo a polícia, foram recebidos a tiros. Os ladrões, segundo a SSP, fugiram para diversos pontos da cidade.

O comandante da Rota, tenente-coronel Mario Alves da Silva Filho, explicou que, após a primeira troca de tiros, policiais se posicionaram nas vias de saída da cidade.

Na estrada Doutor Hércules Campagnoli, dois carros blindados se depararam com a Rota. ‘”Um deles conseguiu fugir, mas outro não. Dele desceram sete suspeitos atirando. Revidamos”. Os sete suspeitos morreram no local. “Eles vieram prontos para o embate”, afirmou Silva.

Instantes depois, um carro, com ao menos cinco criminosos, se deparou com PMs na estrada Jorge Miski.

A polícia informou que um dos bandidos foi morto ao desembarcar do carro. Outro entrou em um condomínio, onde fez uma família e um porteiro como reféns. Ele foi morto pela polícia, que libertou as vítimas, ilesas.

Outros bandidos fugiram para dentro de uma mata. Luis Augusto Ambar, comandante do COE (Comando de Operações Especiais), afirmou que dois ladrões foram mortos, trocando tiros com policiais dentro da mata. Com o bando foram apreendidos oito fuzis, duas espingardas calibre 12, quatro pistolas, dois revólveres e explosivos.

O Agora publicou no ano passado que Guararema ficou 31 meses sem registrar homicídios na cidade.

Letalidade policial

Em seis dias, ao menos 25 pessoas foram mortas em supostos confrontos com a Polícia Militar no estado de São Paulo, incluindo os 11 mortos ontem pela Rota. Na última terça-feira, três suspeitos morreram supostamente trocando tiros com policiais na região da Vila Prudente (zona leste).

Já entre os dias 29 e 30 de março, foram mortos em supostos confrontos com a PM mais 11 pessoas, na capital e na Grande São Paulo. De acordo com a Ouvidoria das polícias, mortes provocadas por policiais militares em serviço, em março deste ano, correspondem a 48% a mais que no mesmo mês do ano passado.

Segundo relatório do órgão, em março deste ano, 64 suspeitos foram mortos em casos considerados como “intervenção policial”. No mesmo período de 2018 foram 43. A Corregedoria da PM e o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa acompanham os casos.

Doria e Bolsonaro comemoram

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) usou as redes sociais para “parabenizar” os policiais que participaram da ação, que culminou na morte de 11 suspeitos.

“Parabéns aos policiais da Rota (PM-SP) pela rápida e eficiente ação contra 25 bandidos fortemente armados e equipados que tentaram assaltar dois bancos na cidade de Guararema e ainda fizeram uma família refém. 11 bandidos foram mortos e nenhum inocente saiu ferido. Bom trabalho!”, escreveu na tarde desta quinta-feira (4).
 

O governador João Doria (PSDB) também se manifestou sobre a ação da polícia, pela manhã desta quinta-feira (4) e também, mais tarde, para uma plateia de empresários e agentes do mercado financeiro.

“Colocaram no chão dez facínoras, mandaram para o cemitério dez facínoras”, disse se referindo às 11 mortes.

Resposta

O secretário-executivo da PM, coronel Álvaro Camilo, afirmou ontem em entrevista coletiva que “não é uma boa opção enfrentar a polícia de São Paulo”. Ele destacou que a SSP (Secretaria da Segurança Pública), sob gestão de João Doria (PSDB), “trabalha forte” com a intenção de “proteger a população”.

“Quero deixar bem claro como a Segurança Pública trabalha a partir do governo. A prioridade da Segurança Pública é manter a tranquilidade de todos os cidadãos. Para isso, fazemos um trabalho de inteligência, de forma integrada [entre polícias Civil, Militar e Ministério Público]. Dessa forma, podemos dar uma resposta rápida para qualquer evento evento criminoso no estado, desde um furto no centro da capital, até a grave ocorrência que houve em Guararema”, frisou.

Segundo a SSP, seis viaturas da PM foram baleadas pelos bandidos Nenhum policial ficou ferido na ação.

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