Descrição de chapéu Zona Leste

Jovem é morto com tiro no peito em abordagem da PM

Rapaz de 23 anos estava na frente de casa com os primos após churrasco

Leonardo Zvarick
São Paulo

Um homem de 23 anos foi morto na madrugada deste domingo (5) na zona leste de SP, após ser baleado durante uma abordagem policial.

Rafael Aparecido Almeida de Souza, 23 anos, morto pela Polícia Militar na avenida Aricanduva (zona leste) - Reprodução/Arquivo Pessoal

De acordo com familiares, Rafael Aparecido de Souza estava reunido com primos em frente ao portão de casa, na avenida Aricanduva (zona leste), após um churrasco de família, quando seu irmão foi abordado por uma dupla de policiais a cerca de 50 metros de distância.

O jovem teria sido baleado quando chamou o irmão, depois que este foi liberado. "Na hora, pensamos que tinha sido tiro pro alto, mas aí eu vi o Rafael caído", disse um primo, que preferiu não se identificar.

Ele afirma que, desde o ocorrido, viaturas têm feito rondas constantes no bairro, constrangendo os moradores da região.

O tio de Rafael, Rogério de Souza, disse que estava dentro da casa quando ouviu o disparo. "Eles estavam no portão fumando narguilé. Quando ouvi o tiro, desci correndo e vi meu sobrinho no chão, a viatura a uns 50 metros de distância".

Ele diz que pediu socorro aos policiais, que teriam ignorado seu apelo e partido sem dizer nada. O jovem foi levado por parentes e amigos ao hospital São Mateus (zona leste), mas não resistiu.

Os relatos das testemunhas contrariam as informações registradas no boletim de ocorrência. O documento diz que, enquanto realizavam a revista, os policiais foram hostilizados por moradores.

Nesse momento, Rafael, teria tentado tomar a pistola de um dos PMs, que puxou sua mão e disparou.
Uma prima do jovem, que preferiu ter a identidade preservada, nega a versão. "Como é que um disparo acidental atinge o peito de alguém a 50 metros de distância?", questionou.

"Era um rapaz muito tranquilo, trabalhador, nunca teve problema com ninguém. Agora ele deixa um filho de dois meses", disse a prima.

A família de Rafael vai comparecer hoje à Corregedoria da PM para ser ouvida na investigação. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, sob a gestão João Doria (PSDB), o caso também é investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).

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