PM da Rota é morto a tiros na porta de casa na zona sul

Policial foi atingido por ao menos 30 disparos de fuzil

Alfredo Henrique
São Paulo

Um cabo da Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar) foi morto com ao menos 30 tiros de fuzil quando saída de casa para trabalhar, por volta das 6h30 deste sábado (4), em Interlagos (zona sul).

Policiais que trabalhavam com Fernando Flávio Flores, 38 anos, afirmaram que ele havia sido ameaçado de morte há cerca de seis meses por integrante de uma facção criminosa (leia mais abaixo). Este é o segundo policial da Rota assassinado em menos de dez dias.

Uma câmera de segurança da rua em que o policial morava registrou a ação dos criminosos. As imagens mostram o PM saindo da garagem de casa com seu carro, um Fiat Doblò. Após fechar o portão da residência e entrar no veículo, um Hyundai I30 com os criminosos emparelha com o carro de Flores. Eles disparam dezenas de vezes sem sair do veículo. Na sequência, duas portas traseiras do Hyundai são abertas e dois criminosos desembarcam. Ambos atiram dezenas de vezes em direção ao policial, que estava no banco do motorista.

Carro do PM da Rota foi atingido por dezenas de disparos de fuzil quando ele saía de casa, em Interlagos (zona sul) - Divulgação/Polícia Civil

Ainda segundo as imagens, um dos criminosos retorna ao Hyundai, recarrega o fuzil e se aproxima da janela do passageiro do carro do policial e descarrega a arma contra a vítima. Em seguida, os atiradores fogem.

Um carro com as mesmas características do usado pelos criminosos foi encontrado queimado em uma área de mata em Parelheiros (zona sul). Dentro do veículo foram encontradas munições de fuzil calibre 556.

O policial trabalhava no 1º Batalhão do Choque da Rota. Ele deixa mulher, além de três filhos. Ele estava na Rota havia 14 anos. 

Nas redes sociais, o governador João Doria (PSDB), lamentou a morte do PM e prometeu punir os responsáveis. “O caso está sendo investigado e os assassinos não ficarão impunes.”

Há seis meses, policial foi ameaçado por membro de facção, diz colega

 Um policial militar de 43 anos disse, em depoimento no 101º DP (Jardim das Imbuias), que o cabo Flores havia sido ameaçado de morte seis meses antes de seu assassinato por um membro da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

O PM trabalhava junto com a vítima no 1º Batalhão de Choque da Rota.

Cabo Fernando Flávio Flores que morreu atingido por tiros de fuzil neste sábado (4) em SP
Cabo Fernando Flávio Flores que morreu atingido por tiros de fuzil neste sábado (4) em SP - Divulgação/PM

Segundo o depoimento, o suspeito de ter ameaçado Flores é conhecido como “Zé Bedeu”. O policial afirmou que o criminoso cumpriu pena no Centro de Detenção Provisória I, Chácara Belém, mas não soube informar se ele ainda estava preso.

Zé Bedeu foi preso em 2012 na zona sul de São Paulo, onde é apontado como liderança do PCC. Até a conclusão desta edição, a polícia ainda não havia identificado os suspeitos do crime nem confirmada uma possível ligação do criminoso mencionado com o assassinato.

Morte pode estar ligada a operação

Segundo integrantes da Promotoria ouvidos pelo Agora, sob condição de anonimato, o assassinato do PM da Rota pode ter relação com a operação de anteontem, em que 44 pessoas foram presas em todo o Estado acusadas de ligação com o PCC.

A operação, batizada de Jiboia, tinha como alvo membros da facção que estariam levantando a identidade e endereços de policiais e investigando a vida dos agentes para matá-los.

A ação contou com a participação de 504 PMs e 40 integrantes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público.

Segundo a SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública), sob a gestão João Doria (PSDB), três policiais militares de folga foram mortos na capital, no primeiro trimestre deste ano. Em todo o ano passado, 19 PMs de folga foram mortos.

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