Cozinheira dá queixa de estupro contra PM na Praia Grande

Segundo vítima, crime ocorreu após o policial lhe oferecer carona na viatura

Alfredo Henrique
São Paulo

Uma cozinheira de 19 anos acusa um policial militar de tê-la estuprado, por volta das 23h30 desta quarta-feira (12), dentro de uma viatura da corporação, na Praia Grande (71 km de SP). O suposto crime ocorreu após dois policiais oferecerem carona à jovem, segundo ela. Os dois PMs foram afastados e um Inquérito Policial Militar foi instaurado pela Corregedoria para apurar o caso. 

A vítima disse ao Agora que retornava do aniversário de uma amiga. Ela deveria ter desembarcado em São Vicente (65 km de SP), mas “perdeu o ponto de parada” e desembarcou, já em Praia Grande, na avenida Ayrton Senna da Silva. “Vi a viatura da PM e perguntei onde ficava o ponto para voltar para São Vicente”, afirma.

Após questionar os PMs, a cozinheira afirmou que um deles perguntou sua idade e se ela era casada. Ambos os policiais, ainda segundo a vítima, conversaram afastados dela e, em seguida, lhe ofereceram uma carona até a rodoviária.

Quando a jovem embarcou na viatura, um policial assumiu o volante e outro se sentou no banco de trás, ao lado da vítima, segundo ela. “O PM que estava ao meu lado tentou me beijar, tirou o pênis para fora e me obrigou a fazer sexo oral nele. Depois, abaixou minhas calças e me penetrou”, diz.

A cozinheira afirma ainda que, após o suposto estupro, a viatura parou perto de um shopping, no bairro Sítio do Campo, momento em que o PM se limpou e, em seguida, passou para o banco dianteiro do passageiro. “O policial que dirigia não falou nada. Já o outro [acusado] perguntou se estava tudo bem e, depois disso, me levaram para a rodoviária”, afirmou a vítima. Os dois policiais estão lotados no 37º e 40º Batalhões da PM.

Quando a cozinheira foi deixada na rodoviária, ela afirmou que, pelo fato de estar transtornada, esqueceu seu celular dentro da viatura. Segundo boletim de ocorrência, o aparelho, de fato, ficou no carro da PM.

A vítima encaminhou suas roupas para perícia. Ela foi atendida no Hospital da Mulher da cidade e, em seguida, encaminhada ao Instituto Médico Legal.

O ouvidor das polícias Civil, Militar e Científica, Benedito Mariano, afirmou que iria instaurar um procedimento, ainda nesta quinta-feira (13) para apurar o caso. Ele acrescentou que o órgão também vai acompanhar as investigações da Corregedoria da PM. 

Resposta

A Polícia Militar afirmou, em nota, que instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar os fatos e que busca provas testemunhais, além de imagens de câmeras de monitoramento da região onde os policiais faziam patrulhamento.

A corporação afirma, diferentemente da cozinheira, que a vítima procurou os policiais pedindo “auxílio” alegando que “foi seguida por um criminoso”. “Os policiais militares prestaram apoio, transportando a pessoa na viatura, até um terminal rodoviário da cidade”, diz trecho de nota.

A nota da PM afirma ainda que viatura será periciada para a verificação de “possíveis vestígios suspeitos”. “As provas testemunhais e periciais serão apreciadas no curso do Inquérito Policial Militar”, finaliza do documento policial.

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