Clínicas particulares de São Paulo não têm vacina contra sarampo

Capital paulista soma 363 dos 484 casos confirmados da doença no estado, segundo o governo

São Paulo

Os 484 casos confirmados de sarampo no estado de São Paulo divulgados no último dia 19, dos quais, 363 somente na capital, zeraram os estoques da vacina tríplice viral nas clínicas particulares da cidade, inclusive em municípios da Grande São Paulo, como no ABC. Não há previsão de chegada, até o momento.

Fachada de clínica na zona leste de São Paulo - Rivaldo Gomes/Folhapress

A imunização está em falta em ao menos 14 locais privados, dos 15 levantados pela reportagem do Agora nesta segunda-feira. Apenas o laboratório Lavoisier tinha disponibilidade da dose em shopping de Taboão da Serra  (Grande SP), com agendamento para esta semana e valor de R$ 290.

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Na rede pública municipal de saúde, no entanto, a tríplice viral que também protege contra caxumba e rubéola está disponível gratuitamente para bebês entre 6 meses e 1 ano, além de adolescentes e jovens entre 15 e 29 anos. A campanha se encerra dia 16 de agosto.

Quem tem entre 30 e 59 anos precisa tomar pelo menos uma dose, caso não tenha sido vacinado anteriormente ou tenha contraído sarampo, segundo os médicos. Exatamente o público que tem corrido para as clínicas particulares. Acima dessa faixa etária não é necessário ser imunizado.

O Centro de Imunização Pro Matre Paulista, vinculado ao Grupo Santa Joana, está sem a tríplice viral há um mês e meio nas duas unidades —Paraíso (centro) e Ibirapuera (zona sul).

“Não estamos conseguindo comprar dos dois únicos laboratórios que fornecem as vacinas para a rede privada de saúde. Um deles deu uma previsão de chegada dos imunobiológicos  no fim de agosto, mas nada ainda certo”, afirma o sócio-diretor do Pro Matre Paulista, Francisco Giannattasio.

O diretor diz ainda que não se trata de problema pontual. “A falta é nacional da tríplice viral. Pegou todos de surpresa”, diz o também médico pediatra. A dose da vacina na Pro Matre custa R$ 120, preço que será mantido mesmo com a alta procura, segundo Giannattasio.

Surto

O Ministério da Saúde diz que São Paulo, Pará e Rio de Janeiro estão atualmente com “surto ativo” de sarampo, respectivamente, com 484, 53 e 12 casos confirmados. O coeficiente de incidência foi de 0,3 por 100 mil habitantes.

No Brasil, até 18 de julho, foram confirmados 561 casos de sarampo, divididos em sete estados. Além dos três em surto ativo, registraram a doença: Minas Gerais (4), Amazonas (4), Santa Catarina (3) e Roraima (1). 

Desde 2000, o país vinha de um histórico de não registrar casos autóctones (contraídos dentro do município). Entre 2013 e 2015, ocorreram dois surtos, a partir de casos importados no Ceará e Pernambuco, com 1.310 registros. Após o controle vacinal, o Brasil recebeu o Certificado Internacional de Eliminação do Sarampo em 2016, perdido em fevereiro deste ano.

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