Descrição de chapéu Centro

Comerciantes alertam para roubo de celular na República

Placas e cartazes avisam do perigo para quem passa pela praça em São Paulo

Regiane Soares
São Paulo

Pedestres têm sido alvo de quadrilhas que furtam e roubam celulares no entorno da praça da República, na região central de São Paulo. Seja a pé ou de bicicleta, os ladrões aproveitam a distração de quem está andando ou esperando o ônibus no ponto para agir. 

A prisão de um desses ladrões, na tarde de quinta-feira (1º), foi presenciada pela reportagem do Agora.

Para tentar conter a ação dos bandidos, alguns comerciantes da região têm alertado seus clientes com orientações verbais ou placas e cartazes. É o caso do bar e restaurante Vermont, na rua Vieira de Carvalho. Lá, os donos do estabelecimento colocaram dois cartazes na entrada onde se lê: “cuidado com seu celular, local sujeito a roubo”.

A dona do restaurante, Janete Pegorim, diz que colocou o aviso para alertar clientes, principalmente à noite, quando a entrada do local se transforma em um fumódromo.

“Recebemos turistas que não sabem do risco que é ficar fumando e olhando ao celular na rua. A gente tem segurança e orienta, mas muitos se esquecem. Por isso, colocamos o cartaz”, diz.

Até um dos funcionários do local foi furtado três vezes. “Eles agem muito rápido e aproveitam a nossa distração”, afirma o atendente Elizeu dos Santos, 31 anos.

Em frente ao local, já na praça da República, uma outra placa também alerta os pedestres: “De olho no celular. Quem anda distraído pela rua, falando ao celular, aumenta a chance de ser alvo dos ladrões”. 

A placa traz a imagem de uma pessoa andando e falando ao celular e uma outra andando de bicicleta.
Segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, governo João Doria (PSDB), o 3º DP (Campos Elísios), que inclui a República, registrou 701 furtos e 341 roubos de celulares de janeiro a junho deste ano.

Em um hotel na região da República, os hóspedes são alertados pelos funcionários sobre os furtos de celulares e até grades são colocadas à tarde na lateral da entrada principal para evitar a passagem de bicicletas.

Vítimas

Em uma caminhada rápida pela praça da República é fácil encontrar alguém que já viu ou foi vítima de furto ou roubo de celular. Quem trabalha ou mora por lá afirma que ação dos bandidos é comum, independente do dia, da hora ou da presença da Polícia Militar.

A administradora de empresas Renata Melchior, 40 anos, é uma das frequentadoras do bar e restaurante Vermont, onde costuma almoçar. Ela concorda com o alerta do cartaz sobre os assaltos na região.

“Eu ando aqui com medo. Do escritório onde trabalho, no segundo andar, ouço gritos de socorro. Eu mesma já vi um rapaz passar de bicicleta e levar o celular de uma mulher que estava na minha frente”, afirmou.

O atendente de telemarketing, Lucas da Costa, 22, disse que evita usar o celular quando anda pela República, onde trabalha. “Só vejo mensagens ou atendo ligações quando chego ao trabalho. Na rua não dá. Uma colega já foi furtada aqui na praça”, afirmou.

A balconista de uma doçaria da região, que preferiu não se identificar, disse que já cansou de ver pessoas sendo assaltadas no ponto de ônibus, que fica em frente à loja. “Em um desses furtos, o ladrão empurrou a mulher, que caiu dentro da loja. Foi horrível”, disse.

Flagrante

Na quinta-feira (1º), o Agora flagrou o momento em que um homem fugia após furtar o celular de uma mulher no ponto de ônibus na República, perto do número 401, entre 13h e 14h. Havia um grupo de policiais militares na praça, mas não impediu a ação do bandido.

A reportagem estava no local há menos de meia hora quando ouviu gritos de uma mulher que pedia para “segurar o ladrão”.

Ele corria com o celular furtado na mão e a vítima corria atrás. O ladrão atravessou a rua e, já na praça, outros três homens tentaram contê-lo e ele caiu.

Após levantar, porém, voltou a correr e, quando tentou entrar em um bar, foi contido por homens. Um dos PMs que estava na praça foi ao local e o prendeu. A mulher não se feriu.

Resposta

A Secretaria Estadual de Segurança Pública, governo João Doria (PSDB), afirmou em nota que “98 criminosos envolvidos com o roubo, furto e receptação de celulares” na região da República foram presos nos seis primeiros meses deste ano.

Segundo a pasta, 600 celulares foram recuperados em ações do 3º DP (Campos Elísios) e 83,3% deles devolvidos aos proprietários. Porém, a secretaria não afirmou qual o período que esses aparelhos foram recuperados. Disse ainda que faz o patrulhamento ostensivo na região da República.

Sobre o furto ocorrido na tarde de quinta-feira (1º), a secretaria disse o autor foi preso em flagrante, indiciado e permanece à disposição da Justiça.

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