Jovem perde baço e parte do pâncreas após suposta agressão na Fundação Casa

Cinco funcionários, incluindo diretor de unidade do interior paulista, foram afastados

Alfredo Henrique
São Paulo

Um adolescente de 16 anos perdeu o baço e parte do pâncreas após ser supostamente agredido por funcionários da Fundação Casa de São José dos Campos (97 km de SP), no último dia 16. Cinco funcionários, incluindo o diretor da unidade, foram afastados enquanto o caso é investigado.   

A mãe do jovem disse à polícia que foi chamada na unidade, pois o filho reclamava de dores no abdômen. O diretor lhe disse que o jovem estava com as dores desde o dia 16, quando um funcionário “sem querer” caiu com o joelho sobre a barriga do então interno da fundação. 

Interno agredido Fundação Casa
Jovem foi submetido a cirurgia para retirar baço e parte do pâncreas após ser supostamente agredido dentro de Fundação Casa de São José dos Campos (97 km de SP) - Arquivo Pessoal

O diretor teria dito ainda à mãe da vítima que o funcionário agrediu o jovem, pois desconfiou que seria agredido durante uma abordagem de rotina e, por isso, tentou imobilizar o adolescente. O menor cumpria medida socioeducativa no local por tentativa de roubo desde julho deste ano. 

No dia 19, uma funcionária notou que o adolescente estava quieto e pálido e solicitou que ele fosse encaminhado a um hospital. Já na unidade de saúde, o jovem teve o baço retirado, pois o órgão estava “rompido” e teve parte do pâncreas também removido em uma cirurgia. 

No último dia 22, a Justiça decretou que o menor irá permanecer em liberdade assistida por ao menos seis meses, até se recuperar da cirurgia. 

Resposta

O secretário estadual da Justiça e Cidadania, Paulo Dimas de Bellis Mascaretti, afirmou que o diretor da Fundação Casa e quatro funcionários foram afastados para que o caso seja analisado pela Corregedoria da instituição. 

Ele acrescentou que os funcionários podem ser punidos após 30 dias de apurações, caso seja comprovado que eles agrediram o menor. “Eles todos [funcionários] ficarão sem contato com internos até a completa elucidação dos fatos. Dependendo do que as investigações indicar, os servidores podem ser até demitidos”, admitiu Mascaretti, que é ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo.

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