Mais da metade dos jovens não foi vacinada contra o sarampo em SP

Apenas 41,4% do público alvo entre 15 e 29 anos tomou a dose da vacina

Mariangela de Castro
São Paulo

Apenas três dias antes do término da campanha de vacinação contra sarampo na cidade de São Paulo, 58,6% dos jovens entre 15 e 29 anos ainda não foram vacinados. A faixa etária está entre as mais vulneráveis à doença e, por isso, é um dos públicos alvo da campanha, junto com bebês de 6 a 11 meses. 

A campanha que iniciou no dia 10 de junho deste ano permanece aberta na cidade até este sábado, 31 de agosto. Ao todo, foram aplicadas 1.257.976 doses durante o período. 

Neste ano, o estado de São Paulo registrou 2.457 casos confirmados de sarampo até o momento, dos quais 66,6% foram na capital paulista, 1.637 casos. 

Segundo a prefeitura, mesmo com o término da campanha, a vacinação de bebês entre 6 a 11 meses será intensificada em CEIs e creches até atingir a meta de 95% de cobertura vacinal. A faixa etária representa cerca de 13% do total de casos registrados no estado e é considerada a mais vulnerável a óbitos. Na capital, 37,1% dos bebês dessa idade ainda não foram vacinados. 

Vale ressaltar que a aplicação da “dose zero” não será contabilizada no calendário nacional de vacinação das crianças. Assim, os bebês devem ser vacinados novamente aos 12 e aos 15 meses com a tríplice e a tetra viral, respectivamente. Ações de bloqueio diante da notificação de casos da doença continuam sendo realizadas. 

Nesta quarta-feira (28) foi confirmada a primeira morte por sarampo na cidade de São Paulo em 22 anos. Segundo a prefeitura, o munícipe era um homem de 42 anos sem registro de vacinação contra sarampo ou outras vacinas que protegessem de deficiência imunitária. Ele havia passado por uma cirurgia para a retirada do baço, condição clínica que aumentava sua vulnerabilidade à infecções.

O Programa Estadual de Imunização prevê pelo menos duas doses de vacina contra sarampo em crianças e adultos de 1 a 29 anos. Já entre 30 e 59 anos, é preciso ter recebido ao menos uma dose. Pessoas com mais de 60 anos não necessitam ter recebido a vacina pois potencialmente já tiveram contato com o vírus no passado. 

Esquecimento

Para o infectologista Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, o fato de o país voltar a ter morte por sarampo ocorre por que as pessoas não deram importância às vacinas. 

“Quando ficamos muito tempo ser ver as complicações de uma doença, a gente esquece de seus perigos”, afirma. “As notícias falsas [sobre riscos da vacina] divulgadas na internet também prejudicam muito campanhas de vacinação.” 

O sarampo é uma doença altamente contagiosa e sem tratamento. O vírus pode ser transmitido por meio da fala, espirros e qualquer contato oral. A única forma de evitar o sarampo é com a vacina, lembra o médico. 

Cerca de 10 a 12 dias após a exposição ao vírus do sarampo, diz o médico, o paciente passa a apresentar sintomas como febre alta acompanhada de tosse, coriza, irritação nos olhos e mal estar. Depois, surgem manchas vermelhas nos rostos e atrás das orelhas, que se espalham pelo corpo. 

“Quando uma pessoa está com sarampo, a solução é preciso tratar estes sintomas e deixar o paciente em observação”, afirma o infectologista.

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