Descrição de chapéu Zona Oeste

Motorista de aplicativo é preso acusado de estuprar passageira em SP

Suspeito teria dado água misturada com drogas para fazer vítima dormir

Alfredo Henrique
São Paulo

Um motorista foi preso na noite desta quinta-feira (15), em Pirituba (zona norte da capital paulista), acusado de estuprar uma passageira no último dia 10, na região de Perdizes (zona oeste). O acusado, que não teve a identidade informada, teria dado água misturada com drogas, golpe conhecido como “boa noite Cinderela”, para que a vítima dormisse. 

Segundo relatado pela passageira, uma engenheira agrônoma de 32 anos, ela foi visitar uma amiga, entre a noite e a madrugada dos dias 9 e 10. Jantou e permaneceu no local até por volta das 3h, quando acionou um carro da Uber para ir embora. 

Um motorista de aplicativo foi preso, acusado de estuprar a uma passageira, na região de Perdizes (zona oeste) - Divulgação / Policia Civil

Imagens de uma câmera de monitoramento mostram o momento em que a mulher embarca no carro do suspeito, um Fiat Uno prata. Uma amiga da vítima, que pediu anonimato, afirmou que a engenheira mora a cerca de dez minutos de carro do local onde embarcou. Porém, ela chegou em casa quase três horas após o embarque. 

A vítima afirmou em depoimento que se lembra de “flashs” em que o motorista lhe tirou as calças e ficou sobre ela, que ainda tentou se desvencilhar do criminoso, nos poucos momentos em que ficou consciente. Após o abuso, o motorista deixou a vítima em casa. 

Câmera de monitoramento flagrou carro de motorista de Uber, instantes antes de vítima embarcar e ser estuprada - Reprodução/Câmera monitoramento

Já em sua residência, a engenheira notou que havia esquecido o celular no carro do acusado. Ele conseguiu entrar no email dela e apagar o histórico da viagem que fez com a mulher. A vítima comunicou o crime à polícia no mesmo dia em que foi abusada.

Prisão

Segundo a chefia de investigações da 9º DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), as investigações começaram, no dia do estupro, a partir da foto usada pelo acusado no aplicativo de transporte. “O nome dele, no entanto, era falso”, disse Matheus Campos Argento de Freitas, chefe de investigações da DDM.  

Por conta do sistema Detecta, que usa câmeras para identificar placas de veículos, a polícia constatou que o carro do suspeito costumava trafegar por Guarulhos (Grande SP). 

Durante a última semana, investigadores fizeram campana no bairro Cidade Parque Alvorada. Na manhã desta quinta, localizaram o acusado e o abordaram. “O trouxemos até  delegacia, para ele prestar depoimento”, disse Freitas. 

Enquanto o suspeito prestava depoimento, a Justiça decretou a prisão temporária de 30 dias do motorista, acatando pedido da polícia. Ele foi indiciado por estupro e furto (do celular da vítima).  

O chefe de investigações disse ainda que o acusado já havia sido preso em outra ocasião, também por furto.

Resposta

A Uber lamentou o crime e afirmou que a conta do acusado foi banida no momento em que o estupro foi notificado à empresa. "A empresa repudia qualquer tipo de comportamento abusivo contra mulheres e acredita na importância de combater, coibir e denunciar casos de assédio e violência", diz trecho de nota (leia íntegra abaixo). 

A empresa acrescentou que todas as viagens, feitas pelo aplicativo, são registradas por GPS, permitindo que a Uber possa dar suporte às autoridades, quando necessário. 

Sobre o fato de o motorista ter se cadastrado, usando uma identidade falsa, a empresa afirmou que todos os seus colaboradores passam por checagem de antecedentes criminais, que é feita por uma empresa especializada a partir dos documentos "fornecidos pelo próprio motorista".

Leia note na íntegra

A Uber lamenta o crime terrível que foi cometido e já está colaborando com as autoridades no curso das investigações. A empresa repudia qualquer tipo de comportamento abusivo contra mulheres e acredita na importância de combater, coibir e denunciar casos de assédio e violência. A conta do motorista parceiro foi banida assim que a denúncia foi feita.

Todas as viagens são registradas por GPS. Isso permite que, em caso de necessidade, nossa equipe especializada possa dar suporte às autoridades, observada a legislação brasileira aplicável, compartilhando informações sobre motorista parceiro e o usuário, seus históricos e qual o trajeto realizado, além de acionar seguro que cobre despesas médicas em caso de incidentes. 

Como parte do processo de cadastramento para utilizar o aplicativo da Uber, todos os motoristas passam por uma checagem de antecedentes criminais realizada por empresa especializada que, a partir dos documentos fornecidos pelo próprio motorista e com consentimento deste, consulta informações de diversos bancos de dados oficiais e públicos de todo o País em busca de apontamentos criminais, na forma da lei. 

Além disso, a Uber utiliza uma ferramenta de "verificação de identidade em tempo real". De tempos em tempos, o aplicativo pede, aleatoriamente, para que os motoristas parceiros tirem uma selfie antes de aceitar uma viagem ou de ficar on-line, para ajudar a verificar se a pessoa que está usando o aplicativo corresponde àquela da conta que temos no arquivo. Isso ajuda a prevenir fraudes e protege as contas dos condutores de serem comprometidas. 

A Uber também realiza rechecagens periódicas dos motoristas já aprovados pelo menos uma vez a cada 12 meses. A Uber fechou um contrato com Serpro, empresa de TI do Governo Federal, para confirmar as informações cadastrais dos motoristas parceiros e candidatos a motoristas e de seus veículos, em tempo real, a partir das informações da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV), com a autorização do Denatran  (Departamento Nacional de Trânsito).

As fotos dos motoristas também serão verificadas digitalmente, com um software especialmente desenvolvido para isso, denominado Datavalid, que compara as imagens fornecidas pelo condutor com as arquivadas pela autoridade de trânsito, a fim de prevenir fraudes. 

A Uber anunciou um compromisso público para enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil, materializado no investimento de R$ 1,55 milhão até 2020 em projetos elaborados ao longo dos últimos 18 meses em parceria com dez entidades que são referência no assunto.

Assuntos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.