Capital paulista tem 3 mortes por dengue confirmadas em 2019

Número de casos de pacientes neste ano é praticamente o mesmo de todo 2016

Elaine Granconato
São Paulo

Após três anos, a cidade de São Paulo voltou a ter mortes confirmadas por dengue. Três pessoas morreram, conforme consta em balanço publicado no site da Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde) na última sexta-feira (6).

Uma das mortes foi confirmada em maio e duas, em junho, após testes do Instituto Adolfo Lutz.
Os casos são autóctones, ou seja, a doença foi contraída dentro do município.

Segundo a gestão Bruno Covas (PSDB), as vítimas eram homens e moravam nos distritos de Cidade Tiradentes, Sapopemba (ambos na zona leste) e Mandaqui (zona norte). As idades não foram informadas.

Na capital, as últimas mortes por dengue foram registradas em 2016, quando oito pessoas morreram, entre os 16.283 casos confirmados da doença ao longo daquele ano. Segundo o atual balanço, a cidade teve 16.166 casos de dengue em 2019.

Do total, apenas 363 casos foram importados, ou seja, a pessoa contraiu a doença em outra cidade.
A Secretaria de Estado da Saúde, com dados até 19 de agosto, diz que 209 pessoas morreram por causa de dengue no estado desde o início do ano. 

A cidade com maior número de mortes em São Paulo é Bauru (329 km de SP), com 32 registros.
Para o médico Gonzalo Vecina, professor na Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), é preciso redobrar a capacidade de vigilância sobre áreas onde há focos da doença. "Principalmente quando mortes ocorrem."

Por outro lado, afirma, a população deve fazer a parte dela. "A parceria, neste caso, é fundamental", diz.

Para ele, a orientação por parte dos gestores públicos tem de ser contínua, inclusive com a capacitação dos profissionais das unidades de saúde. "Em casos de surtos ou epidemia, ele devem agir rapidamente."

A prefeitura não respondeu sobre quais medidas foram tomadas a partir da confirmação das mortes. 

Subtipo 2

O subtipo 2 da dengue é considerado o mais grave, principalmente nas pessoas que já contraíram a doença, segundo os médicos e especialistas.

Desde o ano passado, o vírus circula pelo país, o que coloca as autoridades em estado de atenção.
Antes o sorotipo 2 era classificado como dengue hemorrágica. Hoje, a OMS (Organização Mundial de Saúde) alterou para dengue grave.

Vale lembrar que a dengue é uma doença com processo cíclico, com momentos de alternância de epidemias, justamente devido à dinâmica dos sorotipos.

Campanha

A fim de mobilizar a população, o Ministério da Saúde lançou nesta quinta-feira (12) a campanha sobre a necessidade de se prevenir contra o mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, zika e febre chikungunya.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse, durante o lançamento em Brasília, que a campanha foi antecipada para dar tempo, antes do período das chuvas, de os gestores locais (municipais e estaduais) e as pessoas, organizarem grandes mutirões de combate ao mosquito. “Não devemos esperar depois que o ciclo da doença já está instalado para começar a agir”, disse.

Com o slogan “E você? Já combateu o mosquito hoje? A mudança começa por você”, a ação preventiva do governo reforça a necessidade de as pessoas evitarem deixar água parada.

Para isso, bastam 10 minutos do dia para verificar, por exemplo, se existe algum tipo de depósito de água no quintal ou dentro de casa. Ou lavar com água e sabão a vasilha de água do animal de estimação e os vasos de plantas.

Resposta

A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), diz, em nota, que todos os casos de mortes suspeitas de dengue “são investigados minuciosamente, a apuração exige vários procedimentos e a confirmação requer tempo para realização de todas as etapas”.

A Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde) elaborou um aplicativo para celular, disponível para Android e IOS, que auxilia o profissional de saúde a realizar a classificação de risco do paciente suspeito de dengue, além de reforçar quais condutas deverão ser adotadas, conforme estabelece o Ministério da Saúde, para o manejo do caso.

Em 2018, a capital antecipou o planejamento e lançou em novembro o Plano Municipal de Enfrentamento às Arboviroses, que estabeleceu diretrizes e capacitou ao menos 11 mil agentes de saúde. Neste ano, o manual passa por revisão.

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