Descrição de chapéu Zona Sul

Justiça decreta prisão dos dois seguranças acusados de tortura

Vídeo mostrou adolescente sendo chicoteado por tentar furtar chocolates de um supermercado

Alfredo Henrique
São Paulo

A Justiça decretou na noite desta quarta-feira (4) a prisão temporária dos dois seguranças acusados de torturar um adolescente de 17 anos, dentro de uma sala do supermercado Ricoy, na Cidade Ademar (zona sul) no mês passado. Até a noite da conclusão desta edição eles não tinham sido presos.

Adolescente de 17 anos que aparece em vídeo sendo torturado após tentar furtar chocolate em unidade do mercado Ricoy na zona sul - Reprodução/TV Globo

Segundo o delegado Pedro Luís de Sousa, do 80° DP (Vila Joaniza), um dos seguranças, de 49 anos, tem histórico criminal por lesão corporal contra a mulher. O outro, de 37 anos, por apropriação indébita. 

Segundo vídeo feito por um dos dois suspeitos, o adolescente é golpeado com chicote enquanto é mantido nu e com a boca amordaçada. O motivo para as agressões, segundo relatado pela vítima à polícia, foi pelo fato de ele ter furtado quatro barras de chocolate.

O delegado afirmou acreditar que o caso não foi isolado. “Acho que o chicote foi usado outras vezes [dentro do supermercado], já que pequenos furtos são corriqueiros no local.”

Sousa também pretende apreender o celular usado para registrar o crime. 

Entre segunda-feira (2) e esta quarta, seis funcionários do supermercado foram ouvidos no 80° DP.  Segundo o delegado, os depoimentos foram “homogêneos”. 

“Os funcionários vieram aqui, orientados pelo jurídico da empresa, para defender seus empregos.”

A vítima também prestou depoimento na segunda-feira (2). Segundo o delegado Sousa, o jovem é usuário de drogas e demonstrou timidez e nervosismo para falar sobre o crime. “Mesmo quase um mês depois da tortura, a vítima ainda tem marcas das feridas feitas com o chicote”, disse.

O titular do 80° DP afirmou ainda que o crime de tortura, em que os dois seguranças são acusados, é inafiançável, imprescritível e não pode nem ser perdoado mediante indulto oferecido pela Presidência 
da República.

Buscas

O delegado Pedro Luís de Sousa disse ter pedido autorização para realizar buscas no supermercado onde ocorreu a tortura do adolescente, com o intuito de localizar o chicote. 

A incursão no estabelecimento será feita também para verificar se câmeras de monitoramento registraram os dois seguranças conduzindo a vítima ao local em que ela foi torturada, por cerca de 40 minutos. A data exata do crime também ainda não foi confirmada pela polícia. 

A arma usada no crime, acrescentou o policial, é um emaranhado de fios. Caso o chicote não seja encontrado, Sousa disse que isso não prejudicará as investigações. “O vídeo é prova material suficiente”, afirmou.

Em nota, a KRP Valente Zeladoria Patrimonial lamentou os “horríveis fatos” atribuídos aos dois seguranças no supermercado. “Ambos já foram desligados da empresa”, afirmou. 

A empresa disse que, juntamente com o supermercado Ricoy, oferece suporte social, emocional e financeiro para o adolescente e 
seus parentes.

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