Parques paulistanos fecham banheiros após suspensão de contratos

Gestão Covas faz interrupção por 30 dias para renegociar; problema atinge limpeza e segurança

Mariangela de Castro
São Paulo

A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente suspendeu no último sábado (31) os 21 contratos de empresas terceirizadas para vigilância, segurança e conservação de 107 parques municipais e usuários dos locais enfrentaram problemas no primeiro dia útil após a medida. 

Frequentadores encontraram galhos espalhados e banheiros fechados nesta segunda-feira (2) em parques visitados pela reportagem ou com informações passadas por funcionários.
A suspensão, publicada pela gestão Bruno Covas (PSDB) no Diário Oficial irá valer por até 30 dias, contados a partir de domingo (1).

Para funcionários do parque da Aclimação (zona sul), sem os contratos de segurança e manutenção, "será difícil seguir com a programação do Dia da Independência planejada pelos parques". A frase é uma referência ao feriado do próximo sábado (7).

Nesta segunda, vigias continuaram trabalhando no parque, mesmo sem contrato. O valor referente ao dia seria pago pela própria empresa terceirizada, segundo seguranças.

A administração do parque fechou sanitários. Dos três prédios com banheiros na Aclimação, apenas dois estavam funcionando.

Já no parque do Carmo (zona leste), nenhum banheiro deverá ser aberto nesta semana, segundo disseram funcionários.

"Eu venho aqui [no parque da Aclimação] quase todos os dias, se os banheiros ficarem fechados vai ser horrível", diz a vestibulanda Graciela Velarde, 21 anos. 

Para o enfermeiro Marlon Viana, 45, o que mais preocupa é a possibilidade de o local ficar sem segurança. "Isso é péssimo."

Diante da suspensão de contratos, funcionários do parque do Carmo recomendaram, por telefone, que as pessoas "evitassem" ir ao local nesta semana ou até a situação ser resolvida.

Nesta segunda-feira (2), apesar dos galhos quebrados e da lama espalhada por conta da chuva de domingo, o parque ainda estava em ordem, relataram os funcionários. Mas, ao longo da semana, sem o retorno dos profissionais da zeladoria, a situação "vai ficar inviável", disse um dos trabalhadores. 

"Nós ficamos muito surpresos diante da grandiosidade dessa suspensão. Se os vigias e guardas pararem, não vamos ter nem como abrir os portões", afirmou um dos funcionários, por telefone. 

No parque da zona leste, os vigias e porteiros continuaram trabalhando nesta segunda-feira, mas a administração não afirmou se eles iriam ou não receber pelo dia trabalho, segundo um funcionário. 

"Acho que o parque vai aguentar um ou dois dias, mas depois não sei como vai ser", disse.

Auxílio

Na falta de funcionários de manutenção e zeladoria no parque da Aclimação, um dos frequentadores do local decidiu que ele mesmo iria limpar as folhas e galhos espalhados pelo chão nesta segunda-feira (2). 
O aposentado Tomomi Uemura, 73 anos, conhecido na região como Mano, frequenta o parque da zona sul há pelo menos sete anos.

Pela manhã, ele costuma levar frutas para dar a passarinhos —mamões e bananas— e, à tarde volta ao local para recolher as cascas deixado pelos animais.

Nesta segunda-feira, no entanto, além de cuidar dos pássaros, decidiu também fazer o trabalho de conservação do parque, varrer as folhas secas, a lama e recolher os galhos.

“Eu estou limpando porque não vi nenhum funcionário hoje [ontem]”, afirmou o aposentado. 
“Já faz tempo que  vejo o número de funcionários sendo reduzido por aqui. Mas fazer o quê? Eles não podem trabalhar sem receber e eu não posso deixar o parque ficar sujo”, afirma o frequentador.

Resposta

Em nota, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente diz que realiza renegociação de contratos dos parques municipais. 

“As unidades estão funcionando e os serviços não foram comprometidos, apesar de alguma redução de pessoal”, afirma.

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