Descrição de chapéu Zona Oeste

Bar do Alemão vai fechar após 50 anos de música e boêmia em SP

Localizado na região da Barra Funda, bar reuniu grandes nomes da música brasileira

Elaine Granconato
São Paulo

Tradicional reduto boêmio da capital paulista, o Bar do Alemão, que se consagrou com música popular brasileira de qualidade e célebres encontros de gerações no acanhado palco, fechará suas portas depois de 50 anos na região da Barra Funda (zona oeste).

O Alemão, que fica aberto até 14 de novembro, traz o germânico só no nome, no estilo do bar e nos poucos pratos e petiscos da culinária típica do país europeu.

O bar foi inaugurado em 1968 por um dono de imobiliária, que pouco depois passou o ponto para Dagô, um vendedor de livros que também tocava pandeiro. Mas foi nos anos 1970 que o local caiu nas graças de boêmios e músicos, que adotaram o bar como uma segunda casa. Passaram por ali, no número 554 da avenida Antártica, cantores consagrados como Beth Carvalho, Paulinho da Viola e Nelson Cavaquinho, entre outros.

Na última quarta-feira (16), por exemplo, no clima de saideira de animada roda de samba, marcaram presença o compositor e poeta carioca Paulo César Pinheiro, 70, e o músico paulistano Carlinhos Vergueiro, 67.

Roda de samba no Bar do Alemão, zona oeste de SP, que vai encerrar as atividades no dia 14 de novembro, após 50 anos de existência - Rubens Cavallari/Folhapress

"O forte sempre foi um local de ponto de encontro de música popular brasileira e não de restaurante", afirma o músico paulistano Eduardo Gudin, 69, proprietário do bar há 16 anos e frequentador do espaço desde a década de 1970.

Triste com o fim de um ciclo, Gudin diz que um dos motivos de fechar o bar é porque a noite mudou. "Começa e termina mais cedo. Hoje, minha primeira atração se apresenta às 22h30. Antes, era à 0h30."

Outro motivo é o cansaço, apesar da forte relação pessoal com a casa.

Mas se dependesse do economista Elias José Antonio Izar, 66, morador de Perdizes (zona oeste) e frequentador assíduo por duas décadas, o Alemão continuaria aberto. "É um bar de excelência para a música popular brasileira, que reúne ambiente bom e pessoas amigas", afirma Izar, que diz frequentar o bar três vezes por semana, quando não está fora da cidade a trabalho.

 

Além dos clientes fiéis anônimos, o Alemão atrai a nata de músicos brasileiros de primeira linha.
A começar pelo próprio dono, que lançava seu primeiro disco, em 1973, no bar. "Comprei o comércio anos depois, exatamente por minha ligação emocional com o lugar", relembra Gudin.

O amigo e cantor paulistano Renato Braz, 51, compartilha do mesmo sentimento. "O Bar do Alemão é um símbolo de afeto na cidade de São Paulo", afirma.

Porém, a capital paulista ainda tem redutos tradicionais que sobrevivem ao tempo, como o  Bar Léo, na rua Aurora.

Tradicionais redutos não resistem

Outros bares tradicionais da cidade não resistiram ao tempo. Casos do Amigo Leal, choperia que funcionava na rua Amaral Gurgel, no centro. E também do Bar do Elias, em Perdizes (zona oeste).

O Bar do Elias foi fundado em 1970 dentro do Palmeiras pelo ex-açougueiro Elias Ferreira de Souza. Ele realizava o sonho de montar um bar na casa do time do coração. Em 1981, o comércio mudou para Perdizes, em espaço maior. "No início, era reduto apenas de palmeirenses, mas com o tempo torcedores e jogadores de outros times chegaram para discutir futebol", conta o filho Sidney Souza, 55 anos.

O pai morreu em 2012, mas o bar fechou bem antes, em 2000. Já o Amigo Leal encerrou as atividades em 2018, após 51 anos.

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