Guardas-civis fazem rodízio de colete, afirma sindicato

Corporação estaria com parte do equipamento vencido, diz sindicalista; Prefeitura de SP nega

Elaine Granconato
São Paulo

Guardas-civis metropolitanos estão fazendo rodízio de coletes à prova de bala para o patrulhamento nas ruas, segundo o presidente do SindGuardas (sindicato da categoria), Clóvis Roberto Pereira.
Isso porque parte do equipamento de proteção individual estaria com o prazo de validade vencido pelo menos desde setembro passado, ainda conforme o sindicalista. A Prefeitura de São Paulo nega.

A gestão Bruno Covas (PSDB), entretanto, não concluiu processo de licitação para compra de mais 1.500 coletes, de um total de 3.000, e substituição do lote vencido.

Com o prazo expirado do colete, o agente não sai para rua e fica em atividade burocrática dentro dos postos.

"Para manter o pessoal no patrulhamento de rua, o comando está usando coletes dos guardas que estão em férias ou com afastamentos médicos", diz Pereira, GCM licenciado para exercer o cargo no sindicato.

O dirigente diz que tem guardas em atividades internas nos comandos operacionais espalhados nas cinco regiões da cidade, por conta de coletes vencidos. 

"Em setembro, uma lista apontava 34 pessoas nesta situação, mas o número deve ser maior. Estamos fazendo um levantamento", afirma o sindicalista.

O prazo de duração de um colete é de cinco anos. Quando vencido, inclusive, tem de ser enviado ao Exército para destruição.

Guardas-civis metropolitanos em patrulhamento na região central; quando não há coletes à prova de bala, os agentes têm de fazer serviços internos - Rubens Cavallari/Folhapress

Pereira afirma que o prejuízo é para a cidade. "Muitos guardas que poderiam estar na rua protegendo a população estão em serviço interno. Por outro lado, sobrecarrega os demais colegas. Tudo porque não se programou a compra antes da data do equipamento de proteção expirar", diz.

Nesta terça-feira (29), reportagem do Agora mostrou que guardas-civis metropolitanos assumiram outra nova atribuição: a segurança de 174 escolas da rede municipal no período noturno, das 19h às 7h. Antes, o serviço era executado por vigilantes de empresas privadas então contratadas pelo município.

Tamanho de novo lote foi questionado

Nos últimos três anos, a prefeitura comprou 4.484 coletes nível 3-A, os mesmos utilizados pela Polícia Militar. Antes, os equipamentos eram nível 2.

Neste ano, 389 coletes, entre masculino e feminino, após autorização do Exército, tiveram de passar por readequação dos tamanhos. "Como houve troca de fornecedora, o tamanho M era bem maior que o anterior. Isso provocou confusão", diz o sindicalista Clóvis Roberto Pereira.

A Inbraterrestre Indústria e Comércio de Materiais de Segurança, de Mauá (ABC), fornecedora do material à prefeitura, afirma que fez a readequação. 

"Os coletes foram produzidos de acordo com o desenho fornecido no edital", afirma em nota.

Resposta

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana, gestão Bruno Covas (PSDB), diz, em nota, que "apenas 72 coletes vencerão no fim deste mês de outubro, o que não gera impacto no trabalho da Guarda Civil Metropolitana. O número representa 1% do efetivo total (6.134).

Ainda segundo a pasta, os coletes são substituídos sempre antes da data do vencimento. Uma nova ata de registro de preços foi assinada em 17 de outubro, para 3.000 coletes, dos quais, "1.500 serão comprados em breve, pois ainda há equipamentos do efetivo que não foram trocados". Será criada reserva técnica para edital de concurso de 1.000 guardas.

A gestão diz que, desde 2017, melhorou as condições de segurança à corporação e que todos os materiais recebidos, após a troca do fabricante, já foram devolvidos aos agentes.

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