Queixas por não atendimento de cata-bagulho em SP aumentam

Reclamações pelo telefone 156 da prefeitura subiram quase 30% neste ano

Elaine Granconato William Cardoso
São Paulo

O número de queixas pelo não atendimento da Prefeitura de São Paulo por serviço de cata-bagulho cresceu 30% na capital. De janeiro a junho, foram 1.704 reclamações para 1.312 no mesmo período de 2018 -- 392 ocorrências a mais.

Os moradores da subprefeitura de Capela do Socorro (zona sul) foram os menos atendidos com 134 queixas formalizadas pelo telefone 156 da gestão Bruno Covas (PSDB). Ou seja, ficaram sem saber o que fazer com móveis e eletrodomésticos velhos, além de pedaços de madeira e de metal.

A situação não foi diferente para quem solicitou o serviço e não foi atendido nas regiões do Ipiranga (zona sul), Casa Verde/Cachoeirinha (zona norte) e Mooca (zona leste). O número de reclamações, respectivamente, 99, 91 e 81) veja abaixo a lista com maiores queixa na cidade.

O motorista de aplicativo Cícero Deoclecio Magalhães Silva, 43 anos, da Capela do Socorro, queria se livrar do armário e sofá velhos, além de algumas madeiras, em setembro do ano passado.

"Liguei no 156 e fui até a subprefeitura para formalizar o pedido. Só que não fui atendido até hoje", afirma Silva, que também atua como vigilante.

Ainda segundo o morador, a informação dada pelo 156 é que ele "alugasse uma caçamba ou levasse em algum ecoponto" para descartar o material inservível. "Achei isso um absurdo e a solução foi eu me virar com coletores de lixo. Entendi que a gente tem de se virar com nosso lixo", afirma, contrariado.

De acordo com a prefeitura, se uma pessoa mora em uma região não contemplada pelo serviço de cata-bagulho, deve solicitar o serviço na subprefeitura mais próxima. Ou levar pessoalmente a um ecoponto.

Segundo a prefeitura, o programa é uma ação gratuita, realizada em todas as subprefeituras para tentar impedir que materiais inservíveis sejam depositados em vias públicas córregos e terrenos baldios --em uma área próxima à da casa do motorista em capela do Socorro havia madeira jogada na calçada na última quarta-feira (2).

Morador recorre ao caminhão

O técnico em edificação César Augusto da Silva, 30 anos, é um dos 134 moradores do bairro Capela do Socorro que não teve a solicitação da operação cata-bagulho atendida, oficialmente, pela subprefeitura local. Detalhe: o canteiro de obras da administração regional, de onde saem os caminhões, fica exatamente em frente a sua casa na rua Cassiano dos Santos.

O pedido oficial na subprefeitura foi feito em fevereiro deste ano para recolhimento de um guarda-roupa do quarto que acabou substituído por outro novo. 

"Fui na subprefeitura, que fica também nesta rua, e liguei para o telefone 156 da prefeitura, mas um jogava para o outro a responsabilidade e nada de se resolver", conta o morador, atualmente sem emprego.

Cansado da novela que se arrastava há meses, Silva contou que o pai resolveu atravessar a rua para buscar uma solução no setor da subprefeitura.

Foi lá que um funcionário disse que um "caminhão itinerante" passaria no sábado na rua. "Ele falou para o meu pai que se desse sorte, o problema, finalmente, seria sanado", afirmou. 
 

E depois de sete meses da solicitação do serviço, a sorte ajudou. Um caminhão da prefeitura acabou passando e o móvel, colocado na calçada pela manhã, foi levado na segunda quinzena de setembro.

"Mas nada relacionado ao protocolo oficial aberto em fevereiro. Foi na conversa que meu pai teve com o pessoal do canteiro de obras da subprefeitura que conseguiu resolver o problema", reforçou Silva.

Resposta

A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), disse, em nota, que "atendeu 1.919 pedidos, incluindo demandas de períodos anteriores", das 1.704 solicitações na Central SP156 por não retirada de material neste primeiro semestre.

Sobre a liderança da Capela do Socorro no número de reclamações não atendidas, a prefeitura afirmou que as vias da subprefeitura são contempladas pela Operação Cata-Bagulho.

No caso do morador da rua Cassiano dos Santos que formalizou a queixa, a última coleta neste endereço ocorreu em 17 de setembro. Os próximos recolhimentos ocorrerão dias 17 de outubro, 19 de novembro e 19 de dezembro.

A prefeitura disse ainda que "em junho houve mudança na programação do serviço" nessa região.
Como alternativa para o descarte correto de resíduos, o município possui 102 ecopontos, que são locais de entrega voluntária de pequenos volumes de entulho e móveis.

Veja os números

Queixas de janeiro a junho

  • 2018: 1.312
  • 2019: 1.704

Subprefeituras com mais reclamações

Centro

  • Sé: 71

Zona sul

  • Capela do Socorro: 134
  • Ipiranga: 99 
  • Jabaquara: 77 
  • Campo Limpo: 61
  • M'Boi Mirim: 61

Zona norte

  • Casa Verde/Cachoeirinha: 91
  • Jaçanã/Tremembé: 70
  • Freguesia do Ó/Brasilândia: 63
  • Vila Maria/Vila Guilherme: 56

Zona leste

  • Mooca: 81
  • Itaquera: 76
  • Vila Prudente: 64
  • Penha: 58
  • Sapopemba: 55

O que é

  • Ação gratuita realizada pelas subprefeituras para impedir que materiais inservíveis sejam depositados em vias públicas

Materiais dispensáveis

  • Móveis velhos, eletrodomésticos quebrados, pedaços de madeira e metal

Quando ocorre

  • Aos sábados, de acordo com a programação das subprefeituras (consultar no site www.prefeitura.sp.gov.br)

Recomendação

  • Os moradores precisam colocar os objetos a serem recolhidos na calçada com uma hora de antecedência

Praça de Atendimento ou Central SP156

  • Caso o morador queira descartar algum item, mas sua rua não foi contemplada na última operação, é possível solicitar na praça de atendimento de cada subprefeitura. Também pela pelo telefone 156
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