Serviço faz mapeamento de 84 sítios arqueológicos na capital paulista

Resultado de estudos mostra de cemitério clandestino a ruínas de mineração de ouro na cidade

Alfredo Henrique
São Paulo

A Prefeitura de São Paulo mapeou 84 sítios arqueológicos na capital. A localização e os dados podem ser conferidos pelo GeoSampa, sistema de dados disponível na internet.

O resultado do mapeamento mostra achados desde cemitérios clandestinos e artefatos tupis-guaranis até ruínas de mineração de ouro, como as encontradas no Jaraguá (zona norte).

Segundo Luciana Pascarelli, coordenadora de produção e análise de informação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, informações sobre sítios, vestígios e artefatos arqueológicos estão disponíveis para qualquer pessoa desde o início deste mês. A partir do mapa é possível, inclusive, visitar os locais selecionados.

Os vestígios arqueológicos mais antigos de pedra lascada, segundo a gestão Bruno Covas (PSDB), com idades entre 5.000 e 6.000 anos, foram encontrados em um sítio arqueológico no Morumbi (zona oeste). 

Dentro do sistema, que é atualizado periodicamente, segundo Luciana, quando o usuário encontra um sítio que lhe interessa, pode baixar os dados georreferenciados, disponibilizados a partir de um trabalho prévio de catalogação da Secretaria Municipal de Cultura. Isso, de acordo com a coordenadora, é inédito no Brasil. 

“É possível fazer consultas sobre a data em que artefatos foram encontrados e quais desses locais são tombados como patrimônio do município”, diz.

Além dos sítios arqueológicos mapeados, o serviço também oferece informações sobre ocorrências, bens e áreas de interesse arqueológico, que ultrapassam 170 registros, alguns do período pré-colonial (1500-1530).

“Esses dados são consultados por pesquisadores, estudantes universitários, jornalistas e qualquer pessoa que, a partir deles, consegue produzir e disseminar conhecimento sobre a cidade”, afirma Luciana. 

Estudos

Os sítios arqueológicos são locais onde há objetos e marcas, como pinturas, construções antigas, túmulos e artefatos, que denotam momentos históricos.

“O local pode virar espaço de estudos. Caso se constate mais ocorrências que contenham a história de um período, o local é considerado um sítio”, diz Paula Nishida, supervisora do Centro de Arqueologia de São Paulo.

Mapa

A arqueóloga Paula Nishida afirma que há lugares que, só de bater os olhos no mapa antigo de São Paulo, é possível destacar um potencial sítio arqueológico. Um exemplo disso, segundo ela, é o antigo cemitério dos Aflitos (1775 a 1858) na Liberdade (centro). 

Atualmente no local funciona a capela dos Aflitos. Ao lado dela, um terreno foi escavado nos últimos meses do ano passado. Lá foram achadas as ossadas de sete pessoas que teriam vivido em situação de escravidão na região. “Vimos que o terreno tinha potencial, escavamos e confirmamos nossa hipótese”, diz. 

Ela afirma que outra forma de iniciar as sondagens em um provável novo sítio arqueológico é checar o entorno de imóveis antigos. Ou ainda quando alguém encontra um item e o mostra a um arqueólogo.

Passagem

O Agora visitou dois sítios arqueológicos mapeados na capital, localizados na Sé (região central de São Paulo). Um deles é o beco do Pinto, uma antiga passagem ao lado do Solar da Marquesa de Santos. 
O beco do Pinto foi usado como um atalho, na época da São Paulo colonial, quando era possível fazer o trajeto entre a Sé e a várzea do rio Tamanduateí. 

“O caminho foi muito usado por escravos, que levavam até o rio os dejetos [fezes e urina] de seus senhores”, diz a educadora patrimonial Aline de Fátima Dias, 31 anos.

No beco é possível se deparar com resquícios arquitetônicos dessa época, como vestígios de calçadas do século 18 e paralelepípedos. 

No local, os pesquisadores encontraram fragmentos de louça, cerâmica, ossos e materiais usados para autópsia, pertencentes a uma delegacia de polícia do início do século 20. 

Ao lado do beco fica o Solar da Marquesa de Santos, raro exemplar de residência urbana do século 18. 
O local no centro da capital mantém resquícios de sua arquitetura, como paredes de taipa de pilão e também de pau-a-pique.

Sítios arqueológicos - o que visitar

Beco do Pinto 
Passagem utilizada na São Paulo colonial para o trânsito de pessoas e animais
Endereço: Largo Páteo do Colégio, 136b,  Sé (centro)
Funciona de terça a domingo, das 9h à 17h

Solar da marquesa de Santos
Raro exemplar de residência urbana do século 18
Rua: Na rua Roberto Simonsen, número 136
Funciona de terça a domingo das 9h à 17h

Casa do Grito 
O imóvel é relacionado à Proclamação da Independência de 1822 e foi local de pesquisas arqueológicas  
Praça do Monumento, s/nº – Ipiranga (zona sul) 
Funciona de terça a domingo, das 9h às 17h

Mosteiro da Luz 
Fundado em 1774, por Frei Galvão, é mantido e administrado por monjas da Ordem da Imaculada Conceição
Avenida Tiradentes, 676, Luz (centro) 
Conferir horários de visitação no site www.mosteirodaluz.org.br 

Capela dos Aflitos 
No local, entre 1775 a 1858, funcionou o primeiro cemitério de São Paulo 
Rua dos Aflitos, 70,  travessa da rua dos Estudantes, Liberdade (centro) 

 Serviço

Para consultar os sítios arqueológicos

■ Acesso o portal  GeoSampa
■ Ative a camada “Patrimônio cultural”
■ Selecione “Bens arqueológicos”
■ Escolha as opções “Sítio arqueológico”, “Ocorrência arqueológica”, “Bem de interesse arqueológico”
e “Área de interesse Arqueológico

Fonte: Prefeitura de São Paulo

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.