Descrição de chapéu Zona Sul

Moradores têm até dia 15 para abrir bairro ao trânsito na zona sul de SP

No local público, cercado como um um condomínio, há 402 casas, escola e centro para idosos

Elaine Granconato
São Paulo

A Prefeitura de São Paulo exige a remoção, até o dia 15, de obstáculos instalados em todas as ruas de um bolsão residencial de casas no Jardim Campo Grande, região de Interlagos (zona sul), instalado há cerca de 28 anos, e que dificultam a entrada das pessoas.

Uma cancela automática, instalada desde 2012, com segurança privada, controla a entrada e a saída de quem de chega em veículos ao bolsão. 

De forma gradativa ao longo do tempo, o local se transformou em uma espécie de condomínio fechado, com monitoramento 24 horas e câmeras por todos os lados. Atualmente, são 402 imóveis residenciais, a maioria de médio e alto padrão, e cerca de 1.500 moradores.

Floreiras, correntes com cadeados e barras de ferro impedem a entrada não só de veículos nas 12 ruas cercadas, como também de uma pessoa em cadeira de rodas. O Agora esteve nesta terça-feira (5) no local.

No interior do bolsão funcionam uma escola de educação infantil e um centro de referência do idoso, ambos municipais.

De carro, tanto morador quanto visitante só têm acesso pela única cancela, instalada na rua Geraldo Pacheco Valente. Porém, de um ano para cá, os moradores resolveram barrar o acesso dos motoristas sem autorização, principalmente dos comerciantes do entorno do bolsão, que reclamam da situação.

Um ofício da Subprefeitura Lapa, gestão Bruno Covas (PSDB), foi enviado no dia 5 de agosto à associação de bairro, mas ainda não cumprido.

“Por que não posso entrar com o carro? Não é um condomínio fechado. Todos pagam IPTU [Imposto Predial Territorial Urbano]. O direito de um é de todos”, afirma Hugo Gabriel Muller, 40 anos, funcionário de comércio de assistência técnica na avenida Nossa Senhora de Sabará, próxima ao bolsão.

“Eu não consigo nem descarregar a mercadoria”, diz Maria de Oliveira Fernandes, 31, dona de comércio de doces na avenida Interlagos, ao lado da rua Francisco Pires de Araújo, fechada com floreira e ferros.

Escola

O aposentado Antônio Araújo, 61 anos, morador no bairro Pedreira, Cidade Ademar (zona sul), foi barrado na cancela do bolsão em setembro último, quando chegava de carro.

“Fui buscar minha neta na escola, mas não deixaram eu entrar com o veículo. Tive de dar a maior volta para arrumar uma vaga do lado de fora”, contou o aposentado, enquanto aguardava novamente, nesta terça-feira, a saída da netinha de 4 anos da escola pública.

Araújo disse que o genro teve de ir conversar com os seguranças no dia seguinte. “Eles disseram que houve um equívoco, mas não haveria mais problemas para entrar”, afirma, embora tenha deixado o carro do lado de fora do bolsão.

Resposta

Presidente da Associação dos Moradores do Bolsão Residencial do Jardim Campo Grande, a aposentada Maria Luiza Leifert, 71 anos, diz que no passado o local era usado como rota de fuga de marginais, principalmente por estar circundado por avenidas de grande fluxo de carros, bancos e empresas.

Com base na lei de 1992 que permitia a criação de bolsões residenciais e instituída na gestão Luiza Erundina (PT), revogada  em 2016, a área de 226 mil m² foi fechada. No total, são 12 ruas e cerca de 25 bloqueios.

“A gente só proíbe a entrada de carros estranhos. Tem muita gente que vem aqui fazer caminhada. O problema é que tem comerciante que quer estender o comércio em uma zona residencial”, diz Maria Luiza, que afirma não ter recebido a intimação para retirada das barreiras.

A Subprefeitura de Santo Amaro, gestão Bruno Covas (PSDB), diz, em nota, que caso a ordem não seja atendida até o dia 15, agentes de fiscalização removerão os obstáculos do bolsão e serão aplicadas multas.

A gestão diz ainda que se trata de área reurbanizada delimitada, com trânsito prioritário de moradores da região, “mas desde que garantido o livre acesso e circulação de munícipes”. “O artigo 2 da Lei 1.322, que regulamenta os bolsões, veda a instalação de portões, correntes e cercas que impeçam o livre acesso.”

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