Descrição de chapéu Grande SP

Prainha de represa sofre com falta de infraestrutura e sujeira

Local não tem banheiros suficientes e comerciantes improvisam limpeza por conta própria

São Paulo

Quem busca se refrescar do calorão nas praias das represas da capital e da Grande São Paulo se depara com problemas como acúmulo de lixo, banheiros precários e em número insuficiente e água imprópria para banho.

Guarda-vida observa banhistas na prainha do Riacho Grande, na represa Billings, em São Bernardo do Campo - Rivaldo Gomes/Folhapress

O Agora esteve nesta quinta-feira (2) na praia do Sol, na represa de Guarapiranga (zona sul da capital paulista). A areia ainda tinha garrafas, restos de embalagens, papéis e até cartuchos de fogos de artifícios usados na noite de Réveillon.

Comerciantes afirmaram que a sujeira é o que sobrou do lixo recolhido durante toda a quarta-feira (1). “Nós pagamos para um rapaz nos ajudar na limpeza, porque isso aqui estava tomado de sujeira. Ele trabalhou das 10h até as 21h10 para deixar a praia menos suja”, disse José Antônio Souza, 41 anos, dono de um dos quiosques da prainha. 

Ele acrescentou que, em dias menos movimentados, são os comerciantes que realizam a limpeza da prainha. “A prefeitura nem chega perto daqui”, diz. 

A reportagem ainda verificou que a prainha conta apenas com dois banheiros —um masculino e outro feminino— cada um com apenas um vaso sanitário. Não há torneiras ou pias. 

O securitário Wagner Aparecido, 56 anos, frequentador da prainha há cerca de quatro anos, afirmou que o local costuma permanecer sujo por conta da falta de bom senso dos usuários. “Também há muitos cães abandonados na praia. Dá dó dos animais e também há um risco de contaminação”, disse.

A reportagem ainda viu dois salva-vidas no local. Segundo um deles, em dias mais movimentados há quatro bombeiros, sendo dois em botes, orientando banhistas. 

Mortes por afogamentos caíram no ano passado

Segundo o Corpo de Bombeiros, 14 pessoas morreram afogadas em represas e lagos da capital paulista no em 2019. Isso representa uma queda de 33% em relação aos 21 casos registrados no ano anterior. 

O capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros, afirma que, já no primeiro dia de 2020, foram registradas duas mortes por afogamento na capital. Uma em um lago em Parada de Taipas (zona norte de SP) e a outra na represa Billings (zona sul). 

Os dois afogamentos, acrescenta Palumbo, ocorreram em áreas proibidas para banho. Uma delas é de uso particular e, a outra não conta com o monitoramento de guarda-vidas. 

“Esses locais (represas e lagoas) têm um fundo irregular, com barro e vegetação, às vezes criando a falsa sensação de segurança, fazendo com que as pessoas se arrisquem.”  

O capitão orientou ainda para que as pessoas nadem apenas em locais monitorados pelos bombeiros.

Banhistas se divertem em área com água imprópria para banho

Mesmo com a água imprópria para banho, cerca de 20 pessoas curtiam a quinta-feira (2) na prainha de Riacho Grande, em São Bernardo do Campo (ABC). Segundo apurado pelo Agora, no dia anterior o local foi frequentado por cerca de 4.000 pessoas, por conta do feriado do dia 1º. 

A qualidade da água foi verificada pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), gestão João Doria (PSDB), entre os dias 21 e 26 de dezembro do ano passado. 

Segundo um guarda-vidas, que pediu para não ter o nome publicado, a profundidade máxima da represa é de 40 metros. “Por isso, estipulamos o limite de dois metros de profundidade [com boias e cordas] para que os banhistas não se arrisquem. Ficamos atentos às crianças também.”

Mesmo assim, ele afirmou que, na quarta-feira (1º), precisou entrar na água para salvar dois homens, em situações diferentes, que estariam embriagados.

O guarda-vidas acrescentou que alguns banhistas chegam a ser agressivos, quando são orientados para saírem de pontos de maior risco de afogamento. “Há alguns casos em que nos ofendem e até tentam partir para cima”, afirmou.

Além da prainha de Riacho Grande, a Cetesb indica outros quatro locais impróprios para banho em represas, todas na represa de Guarapiranga, na zona sul de São Paulo. 

Área aguarda decisão judicial

A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, sob gestão de Bruno Covas (PSDB) afirmou, por meio de nota,  que a praia do Sol, na represa de Guarapiranga (zona sul), é uma área “sub judice” (aguardando determinação judicial). 

“Intervenções estruturais deverão ser realizadas após a definição do processo na Justiça”, diz trecho de nota.

Sobre a presença de cães abandonados, a pasta afirmou realizar tentativas de adoção dos animais. Porém, nenhum ainda foi levado. “Enquanto não são adotados, a administração do parque cuida deles”, diz trecho de nota.

A prefeitura não comentou sobre a falta de estrutura dos banheiros nem sobre a falta de limpeza.

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