Seis anos após crise hídrica, represas de SP estão com nível elevado de água

Dos sete reservatórios que abastecem a Grande SP, seis estão perto da capacidade máxima ou acima dela

Fábio Munhoz

Seis anos após o início da crise hídrica que atingiu o estado de São Paulo, as represas que abastecem a Grande São Paulo apresentam níveis elevados de armazenamento --próximos de suas capacidades totais. 

Dos sete reservatórios, dois estão com mais de 100% de volume armazenado: Rio Claro e São Lourenço. Outros quatro estão perto de atingir sua totalidade: Alto Tietê, Guarapiranga, Cotia e Rio Grande.

Represa de Guarapiranga, uma das que abastecem a Grande São Paulo, está com quase 85% de sua capacidade máxima; segundo especialistas, não deve haver falta d'água na próxima estiagem - Gabriel Cabral - 26.julh.19/Folhapress

Segundo especialistas, a situação dá certa tranquilidade para o período de estiagem, a partir do próximo mês de abril.

Com base nesses dados, o professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Antonio Carlos Zuffo, especialista em recursos hídricos, avalia que a situação do abastecimento é considerada "tranquila". "Ainda estaremos no período chuvoso até março", diz.

O professor Jefferson Nascimento de Oliveira, da Faculdade de Engenharia da Unesp (Universidade Estadual Paulista), concorda, mas alerta que é preciso não ter sobrecarga na demanda pela água do sistema Cantareira, que está com 52,6% de sua capacidade. 

Marco Antonio Lopez Barros, superintendente de Produção de Água da Metropolitana da Sabesp, da gestão João Doria (PSDB), afirma que o Cantareira abastece 7,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo, o equivalente a pouco mais de um terço do total.
 

Barros não considera haver sobrecarga, já que o manancial possui uma capacidade superior aos demais --o Cantareira está com 516,1 bilhões de litros de água armazenados. Os outros seis, somados, chegam a 859,3 bilhões. 

"Não teria sentido comprometer os demais simplesmente por eles estarem com percentuais mais elevados de armazenamento."

Mesmo assim, ele afirma que, em caso de necessidade operacional, é possível fazer manobras técnicas para que um reservatório transmita água para outro.

Sem riscos

Apesar de seis dos sete reservatórios que atendem a Grande São Paulo estarem perto de suas capacidades totais, a Sabesp afirma que a situação não configura riscos de transbordamento ou rompimento de barragens.

Barros, diz que as represas têm sistemas para dar segurança às barragens, mesmo quando se atinge o nível máximo. 

Entre esses dispositivos estão os chamados vertedouros, que são responsáveis por fazer a vazão da água das represas para os rios que estão conectados. Assim, o nível de água é reduzido gradativamente.
Ainda segundo Barros, os procedimentos de vazão não geram risco de inundações às comunidades que vivem próximas a esses rios. "Não tem risco de transbordamento porque o uso dos vertedouros é feito de maneira ordenada", afirma o superintendente.

Especialista em recursos hídricos, o professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Antonio Carlos Zuffo avalia que o risco relacionado ao excesso de água é "quase nenhum para os próximos 12 meses".

Represas - como estão os níveis (%)

Sistema 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020
Cantareira 18,8 -22,4 18,4 62,5 51 44,6 52,6
Alto Tietê 40,6 13,3 28,6 53,9 58,9 62,8 86,4
Guarapiranga 61,8 55,2 81,1 79,2 73 79,7 84,9
Cotia 55,4 34,3 100 100 87,8 50,8 98,9
Rio Grande 88,7 79,9 86,6 93,7 80,8 88,4 98,3
Rio Claro 89,9 31,8 81,5 101,7 86,3 104,8 100,9
São Lourenço* -- -- -- -- 15,8 72,7 100,8
Total armazenado 33,7 3,8 35,6 65,5 55,9 57,2 70,7

* O Reservatório São Lourenço foi inaugurado em abril de 2018

Fonte: Sabesp

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