Veja filmes com planos-sequência como em "1917"

Obra que disputa o Oscar chama a atenção para as cenas sem cortes

Cena do filme "Festim Diabólico"
Cena do filme "Festim Diabólico", de Alfred Hitchcock - Divulgação
São Paulo

Plano-sequência é o termo do momento no cinema, graças a "1917", longa-metragem com dez indicações ao Oscar deste ano. O filme de Sam Mendes foi rodado em cenas de cinco a oito minutos que, montadas, dão ao espectador a sensação de assistir a um único plano do início ao fim, um espetáculo visual resultado de cinco meses de ensaio e muito apuro técnico. 

Mendes e outros diretores do cinema moderno se beneficiaram da evolução tecnológica, que os ajudou a aperfeiçoar os planos-sequência. Câmeras mais leves e menores, digitais ou com maior capacidade para rolos de filmes, tornaram mais fácil a empreitada de seguir, sem cortes, personagens por minutos.

Mas nem sempre foi assim. "Aurora", de 1927, dirigido por F.W.Murnau, é citado como o embrião dos planos-sequência, realizado em uma época limitada do ponto de vista tecnológico. A cena leva menos de um minuto, mas a ideia está lá: a câmera segue um homem que vai ao encontro da amante.
 

Anos depois, em "A Regra do Jogo", de 1939, o diretor Jean Renoir usou planos-sequência e explorou a profundidade de campo. Mas foi Alfred Hitchcock que deu outra dimensão à técnica, quando, em 1948, rodou "Festim Diabólico" em cerca de dez takes que, na montagem, tornaram-se um único plano.

Orson Welles também usou a técnica em "A Marca da Maldade", em um dos planos-sequência mais famosos do cinema. A cena abre o filme e leva pouco mais de três minutos. Com uma grua, a câmera registra a colocação de uma bomba em um carro e, depois, o segue por ruas e em meio a pedestres. Infelizmente, o filme não está disponível nos serviços de streaming.​

 

Em 1992, Robert Altman homenageou a sequência de "A Marca..." na abertura de "O Jogador", em que a câmera acompanha a movimentação em um estúdio de Hollywood e no escritório de um produtor.

Na mesma década, Martin Scorsese nos fez seguir, em "Os Bons Companheiros", os personagens de Ray Liotta e Lorraine Bracco na chegada a uma boate. A câmera leva os dois da rua até o salão da casa noturna. Em 1997, Paul Thomas Anderson fez cena semelhante na abertura de "Boogie Nights".

Nos anos 2000, o cinema argentino presenteou o público com um plano-sequência de tirar o fôlego em "O Segredo dos Seus Olhos". A cena começa do alto, mostrando um estádio de futebol. Aos poucos, o plano vai se aproximando, até chegar à arquibancada, onde começa uma perseguição. A ação termina cinco minutos depois, no gramado do estádio. Imperdível.
 

ONDE VER
(preços pesquisados em 6 de fevereiro)

AURORA (1927)
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A REGRA DO JOGO (1939)
Petra à La Carte: grátis para assinantes a partir do dia 20 de fevereiro

FESTIM DIABÓLICO (1948)
iTunes: R$ 11,90 (aluguel) e R$ 29,90 (compra)
Looke: R$ 21,99 (compra)  os bons companheiros (1990)
iTunes: R$ 19,90 (compra) Google Play: R$ 5,90 (aluguel) e R$ 9,90 (compra)
Microsoft Store: R$ 19,90 (compra)
HBO Go: grátis para  assinantes

O JOGADOR (1992)
Looke: R$ 3,99 (aluguel), R$ 14,99 (compra) e grátis para assinantes
NOW: grátis para assinantes do Looke

BOOGIE NIGHTS (1997)
iTunes: R$ 7,90 (aluguel) e R$ 19,90 (compra)
Google Play: R$ 7,90 (aluguel) e R$ 19,90 (compra)
HBO Go: grátis para  assinantes

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS (2008)
Google Play: R$ 3,90 (aluguel) e R$ 24,90 (compra)
Looke: R$ 4,99 (aluguel), R$ 14,99 (compra) e grátis  para assinantes
Prime Video: grátis para assinantes
NOW: R$ 6,90 (aluguel)

Hanuska Bertoia
Hanuska Bertoia

47 anos, é formada e pós-graduada em jornalismo. Gosta de ver filmes em qualquer plataforma (TV, celular, tablet), mas não dispensa uma sala de cinema tradicional.

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