Famílias aguardam nove horas em fila por teste gratuito de Covid-19 em SP

Cerca de 200 exames foram feitos pelo Butantan em shopping da zona sul da capital

Fábio Munhoz
São Paulo

Aproximadamente 200 pessoas aguardaram até nove horas para fazer um exame gratuito de Covid-19 nesta terça-feira (4) em um shopping na zona sul de São Paulo. Os testes, do tipo RT-PCR, que são considerados mais precisos para o diagnóstico do novo coronavírus, foram aplicados por equipes do Instituto Butantan.

Técnicos do Instituto Butantan aplica teste da Covid-19 em pessoas que aguardaram até nove horas em fila no estacionamento de shopping de São Paulo - Rivaldo Gomes/Folhapress

As coletas começaram a ser feitas por volta de 9h. Para garantir lugar na fila, os primeiros chegaram ao local perto da meia-noite e passaram a madrugada dentro dos carros, mas ainda do lado externo do shopping. A entrada para o estacionamento do centro comercial, onde os exames foram feitos, começou a ser liberada após às 5h30.

Durante o período de espera, cada família deu seu jeito de fazer o tempo passar mais rápido. Muitas delas optaram por tentar dormir. "A coluna está até doendo", afirmou o comerciante Manoel Augusto Nascimento, 54, que estava com a esposa.

"Estamos assintomáticos e não tivemos contato com ninguém que teve a doença. Mas, como eu trabalho com alimentação, quis fazer o teste para garantir a segurança dos meus clientes", disse Nascimento, que é dono de um food truck.

A família do manobrista Rafael Rodrigues, 34, também tentou descansar durante a fria madrugada. "Foram muitos roncos aqui dentro do carro", brincou. Ele foi ao shopping acompanhado da mulher, de um irmão e dos filhos de 7 e 14 anos.

Rodrigues decidiu fazer o exame depois de haver a confirmação de um caso na família. "Eu e a minha esposa tivemos sintomas de resfriado e uma das crianças está com um pouco de falta de paladar", relatou. Esta foi a terceira vez que a família dele foi ao mesmo shopping para tentar fazer os exames. Nas outras duas ocasiões, não havia mais senhas disponíveis.

Enquanto uns aproveitavam para dormir, alguns recorreram a outros meios para passar o tempo. Foi o caso da publicitária Jacqueline Gabor, 25, que chegou ao local às 3h e levou consigo seu laptop. "Eu trabalhei, fiquei assistindo filmes. Vim preparada, com três baterias extras", afirmou a jovem. Ela foi fazer o exame depois de ter tido contato com uma pessoa que testou positivo.

A massoterapeuta Cecília Futigami, 51, resolveu se submeter ao teste após ter sentido alguns possíveis sintomas da Covid-19 na última quinta-feira (30), como dor de cabeça e no corpo. "Agora estou bem, mas é melhor garantir", destacou.

Assintomáticos

Algumas das pessoas que foram fazer o exame não apresentavam sintomas da doença nem tiveram contato com pacientes que tiveram diagnóstico positivo. "Na nossa família está tudo bem. Mas como tivemos muitos casos na região, achamos melhor vir fazer", comentou o analista de sistemas Francisco Luchetta, 42, que mora em Interlagos (zona sul).

Por ser do grupo considerado como de alto risco da doença pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o aposentado José Francisco dos Santos, 76, também preferiu ser testado mesmo estando assintomático. "A questão do grupo de risco assusta", admitiu. Segundo ele, houve casos confirmados de Covid-19 em sua família. "Mas não tive contato com essas pessoas", acrescentou.

Situação parecida é a do gerente de vendas Wagner Rodrigues, 55, que não teve casos na família. Ele elogia a iniciativa da testagem em massa, mas avalia que deveriam ser feitas mais ações do tipo na cidade. "É uma amostragem muito baixa, se considerarmos o tamanho de São Paulo. Isso dificulta para que possamos ter uma dimensão real da situação", analisou.

O mutirão de testes no shopping começou na quinta-feira (30). Até esta terça-feira, estavam sendo feitos 200 exames por dia. Entre os dias 5 e 10 de agosto, o número será dobrado para 400 testes diários.

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