Repor a falta de colágeno ajuda a fortalecer músculos e ossos

Proteína é a mais abundante do corpo humano, mas produção diminui com o passar dos anos

São Paulo

Geralmente associado a tratamentos estéticos, a suplementação de colágeno, responsável especialmente pela conexão de células e tecidos, tem obtido destaque como aliado de um envelhecimento saudável do ponto de vista ortopédico.

A proteína funciona no fortalecimento de músculos, ossos, tendões e cartilagens. O aumento do consumo está associado também ao aumento da expectativa de vida da população, que traz doenças novas, como a osteoartrite, sarcopenia, osteoporose e tendinites.

“É um tecido que tem uma síntese de renovação muito rápida, então precisamos cuidar muito dele porque ele está sempre se degradando e que é muito afetado pelo nosso modo de vida”, diz Georgia Rodrigues, engenheira de alimentos e doutora em Nutrição.

15.11 Viva Bem - Colágeno
Colágeno funciona no fortalecimento de músculos, ossos, tendões e cartilagens - Arte Agora

A suplementação de colágeno pode ser uma aliada no tratamento de agravos para duas parcelas da população: idosos e adultos que praticam atividades físicas de alto impacto. Pois, apesar de o corpo sintetizar essa proteína, a taxa de produção cai durante os anos.

Os efeitos podem ser redução de dor, aumento de mobilidade e da elasticidade, aumento de massa magra e diminuição de gordura corporal e diminuição do consumo de remédios.

Há três formas de ingestão de colágeno, diz o ortopedista Márcio Passini, da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Duas delas são suplementação alimentar: a ingestão de produtos ricos em colágenos, que oferece uma fonte generalista da proteína, que vai ser absorvida conforme o organismo entender que há necessidade, e a ingestão de colágeno específico para determinado tecido.

Existe também a possibilidade de ingestão de colágeno como um imunomodulador (atua no sistema imunológico). É indicado para pessoas que têm patologias, como a osteoartrite, em que o próprio corpo “ataca” os tecidos.

De acordo com Tiago Lazzaretti Fernandes, ortopedista e médico do esporte do Hospital das Clínicas, a suplementação não pode ser encarada como um tratamento milagroso. “A ciência tem que estimular novos tratamentos, e testar, senão ela não avança, mas ainda são necessários mais estudos para comprovar a eficácia desse tratamento.” Por isso, a suplementação deve ser acompanhada por atividades de fortalecimento, fisioterapia e tratamento farmacêutico.

Consumo médio da proteína do brasileiro ainda é baixo

A estimativa de consumo de colágeno pelo brasileiro é de cerca de 1,3 grama por dia em média, afirma Georgia Rodrigues, engenheira de alimentos. A quantidade, segundo ela, é muito abaixo do ideal. Na alimentação, a principal fonte da proteína são as carnes.

“Especialmente um indivíduo idoso, que tem uma inadequação na ingestão de proteína, tem uma necessidade de entrar com suplementação. Mas ela só é recomendada quando realmente existe uma inadequação na ingestão pela alimentação.”

Para determinar se há essa necessidade, é importante uma avaliação médica e nutricional. A recomendação diária para o consumo de proteínas por um indivíduo adulto, de acordo com Georgia, é de 75 gramas por dia. Sem prejudicar a qualidade da alimentação, até 27 gramas desse total (36%) podem ser por suplementação de colágeno.

“Essa quantidade não compromete a qualidade proteica da alimentação e contribui para a síntese desse tecido no nosso corpo.” A indicação de uso dessa suplementação varia de acordo com a queixa e o perfil do paciente, por isso é necessária uma avaliação profissional. A quantidade pode variar de 2,5 gramas diárias, no caso de demandas estéticas, até 15 gramas diárias, no caso de sarcopenia.

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