Estresse atinge cerca de 70% da população ativa e exige atenção

Quando o problema não é tratado adequadamente, ele piora cada vez mais a qualidade de vida

Martha Alves
São Paulo

O Brasil está entre os países com maior índice de estresse do mundo: 70% da população ativa já apresentou ou possui sintomas de estresse, de acordo com estudo feito em 2017 pela Isma-BR (Associação Internacional de Gerenciamento de Estresse Brasil).

O estresse é uma defesa natural do organismo, que ocorre quando em situações de perigo ou ameaça. Por isso, qualquer pessoa está suscetível ao estresse —o que varia é a frequência e a intensidade dos sintomas, que podem afetar o emocional e causar reações que não vão embora e que exigem tratamento médico.

17.01 Nas Ruas - Viva Bem - Estresse
Arte Agora

Ele pode se manifestar por diversas causas, que incluem desde um acidente traumático, morte, doença na família, acúmulo de dívidas, cobrança excessiva ou competição no trabalho, por exemplo, até trânsito intenso e metas difíceis de serem alcançadas.

Segundo o endocrinologista Malebranche Carneiro, do Hospital Moriah, alguns pacientes conseguem lidar bem com o estresse, mas, para outros, pode haver uma repercussão maior na vida.

O endocrinologista afirma que, quando o organismo sente-se ameaçado, é normal que exista uma reação exagerada de sintomas de estresse, como aumento da sudorese e dos batimentos cardíacos. É como se o organismo tentasse lutar ou fugir da situação, e isso não é fora do normal. O problema, diz o médico, é quando a pessoa se mantém continuamente estressada e as reações do corpo e sintomas não vão embora.

Carneiro alerta, ainda, que o paciente deve procurar um médico ao perceber um comportamento fora do padrão, como falta de sono, dor muscular, diarreia ou fadiga. Segundo ele, muitos pacientes procuram o consultório médico com queixas de fadiga e cansaço, e isso pode se confundir com tireoide, por exemplo. “A maioria tem problemas relacionados ao estresse crônico. Cabe ao profissional estar antenado à multifatoriedade das causas e implicações do estresse crônico.”

O médico explica que o tratamento do paciente com estresse é multidisciplinar e envolve mudanças no estilo de vida, controle do peso, dieta equilibrada, boas noites de sono e qualidade de vida. Casos crônicos, contudo, exigem também tratamento psiquiátrico e terapia contra insônia. “Com o tripé peso, dormir bem e fazer exercício, muitas vezes se resolve [o estresse]”, afirma.

Para a psicóloga Marilda Lipp, diretora do IPCS (Centro Psicológico de Controle do Stress), fazer listas de metas inalcançáveis logo no início do ano também contribui para o estresse, devido ao medo de não conseguir atingir os objetivos traçados. Ela destaca ainda a pandemia como outro fator de estresse, uma vez que foram criadas expectativas de retorno à vida normal.

“Nossa pesquisa [do IPCS feita em 2020] mostrou que 60% das pessoas estão estressadas nesta pandemia; 57,5% estão mais ansiosas e 26% estão com depressão.”

A psicóloga afirma que desacelerar, mudar o estilo de vida —com a inclusão de atividades físicas—, fiscalizar pensamentos negativos e dar uma interpretação mais positiva ao dia a dia podem contribuir para evitar o estresse. “Salpicar alegrias na sua vida, procurando coisas no dia a dia que dão alegria e satisfação.”

Relaxamento

O relaxamento pode ser um excelente aliado para aliviar o estresse, mas há quem se queixe de não ter nem meia hora por dia para se dedicar à prática, devido à vida corrida.

Para esses casos, a psicóloga Marilda Lipp ensina uma técnica fácil e rápida de relaxamento, chamada “boneca de pano”, na qual a pessoa solta o corpo como se ele fosse mole como uma boneca.

Este relaxamento dura no máximo cinco minutos e, para praticá-lo, a psicóloga explica que a pessoa deve sentar em uma cadeira ou deitar na cama e respirar profundamente. Em seguida, deve imaginar que o próprio corpo é um boneco de pano, soltando toda a musculatura e o peso na superfície em que está, para relaxar, respirando profundamente. A psicóloga afirma que, à medida que a pessoa sente o peso do braço, da perna e do corpo, vai relaxando e se soltando. “É um relaxamento que leva de três a cinco minutos, e a pessoa já sai mais relaxada”, afirma Marilda Lipp.

Outras atividades podem ajudar a relaxar, como fazer uma respiração profunda, ouvir música, contemplar a natureza, desenhar, dançar. E, claro, organizar a vida de maneira mais adequada, para evitar situações que podem causar estresse.

O que é estresse

  • É uma reação fisiológica normal do organismo, quando ele sente que é ameaçado ou agredido
  • É um mecanismo que coloca o organismo em estado de alerta quando entra em contato com o agente estressor

Causas

  • Pode se manifestar desde um acidente traumático e morte até estar associado à vida cotidiana agitada, ambiente de trabalho e excesso de responsabilidades


Tipos

Agudo

  • É uma reação normal do corpo a um momento ou fato estressante

Crônico

  • Quando a pessoa se mantém continuamente estressada e as reações do corpo ao agente estressor e sintomas não vão embora
  • precisa de tratamento médico

Diagnóstico

  • Feito pelo médico em consultório

Sintomas emocionais do estresse

  • Ansiedade
  • Irritabilidade excessiva
  • Falta de concentração
  • Incapacidade de relaxar
  • Alteração de memória
  • Alterações de humor
  • Desorganização


Efeitos o estresse no corpo

  • Pressão alta
  • Depressão
  • Problemas no coração
  • Síndrome do intestino irritado
  • Diabetes
  • Disfunção sexual
  • Fadiga
  • Dor de cabeça
  • Sudorese
  • Aumento do batimento cardíaco
  • Dificuldade de dormir
  • Problemas gástricos
  • Dores musculares


Tratamento

  • Varia de acordo com cada caso
  • Algumas pessoas conseguem melhorar mudando o estilo de vida
  • Pacientes com quadro de estresse crônico podem precisar de tratamento psiquiátrico

Prevenção

  • Dormir bem
  • Manter o peso
  • Manter alimentação saudável
  • Praticar exercícios físicos
  • Ter momentos de prazer e relaxamento
  • Respirar profundamente
  • Ser mais positivo
  • Não se impor metas difíceis de serem cumpridas


Fontes: Malebranche Carneiro, endocrinologista do Hospital Moriah; Marilda Novaes Lipp, psicóloga e diretora do IPCS (Centro Psicológico de Controle do Stress); Ministério da Saúde

Assuntos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.