Descrição de chapéu Zona Norte

Suspeito de matar jogadora de games teria planejado o crime há duas semanas

Corpo de Ingrid Bueno, 19 anos, foi encontrado na casa do suspeito do crime, de 18, que foi preso

Alfredo Henrique Gabriela Bonin
São Paulo

O jovem de 18 anos, preso pela suspeita de ter matado uma jogadora profissional de e-Sports de 19 anos, na tarde de segunda-feira (22), teria dito que havia planejado o crime há duas semanas, segundo o relato do boletim de ocorrência. Ele havia conhecido a vítima há pouco mais de um mês.

O crime aconteceu na casa do suspeito, em Pirituba (zona norte da capital paulista). O corpo da estudante Ingrid Bueno, conhecida como Sol, foi encontrado caído, ao lado de uma cômoda, pelo irmão do suspeito, um estudante de 23 anos. À polícia, ele afirmou que o irmão não estava em casa no momento e, por telefone, o convenceu a se entregar no 87º DP (Vila Pereira Barreto), para onde o rapaz se dirigiu, sozinho, cerca de meia hora depois.

A jovem, de acordo com o relato de policiais militares, estava ferida com facadas no peito e com um profundo corte no pescoço.

Um policial civil registrou em vídeo, com um celular, o momento em que o estudante de 18 anos era algemado, em frente à delegacia. Ao ser questionado se tinha ciência do que havia feito ele responde "claro que tenho". Após isso, o policial pergunta o motivo do homicídio. "Fiz porque quis", responde o suspeito que, em seguida, sorri.

Em outro vídeo, já dentro da delegacia, o estudante ainda afirmou que seu objetivo era "atacar o cristianismo", ao ser novamente indagado sobre a motivação do crime.

Ele chegou à delegacia, segundo boletim de ocorrência, com seu par de botas sujo de sangue. Os calçados foram apreendidos para serem periciados, assim como o celular do suspeito.

O estudante foi indiciado em flagrante por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. O flagrante foi convertido para prisão preventiva, ou seja, sem tempo determinado, segundo o TJ-P (Tribunal de Justiça de São Paulo).

Ele foi transferido para o CDP (Centro de Detenção Provisória) Paulo Gilberto de Araújo, no Belém (zona leste), onde permanece à disposição da polícia.

A jogadora de e-Sports Ingrid Bueno, conhecida como Sol, 19 anos, foi morta a facadas na tarde de segunda-feira (22), no bairro de Pirituba (zona norte da capital paulista) - Reprodução/Instagram

Além do par de botas ensanguentado e do celular, a polícia também apreendeu e irá analisar um livro no qual o suspeito afirma ter deixado registrado seus objetivos e motivação para o crime.

Nenhum advogado havia sido constituído para defender o estudante, até a publicação desta reportagem. Dois irmãos dele foram procurados pela reportagem, com telefonemas e mensagens, mas não deram retorno.

Ingrid jogava Call of Duty: Mobile, jogo de tiro para celular, e era uma liderança feminina na equipe FBI E-Sports, segundo colegas. O autor do crime também jogava o game, mas fazia parte de outra equipe, o Gamers Elite.

Segundo nota do Gamers Elite, o estudante preso utilizava o apelido "Flashlight" no jogo. Ainda na segunda, ele enviou um vídeo no grupo do WhatsApp do time, no qual afirmaria que "supostamente acabara de matar uma mulher, filmar e compartilhar".

O suspeito, ainda segundo a nota do Gamers Elite, também enviou um documento em PDF com "mensagens de ódio contra cristãos" e fazendo "um aceno ao terrorismo". A liderança do time diz que, assim que leu a mensagem, acionou a polícia e afirma ter solicitado para que os membros do grupo não compartilhassem o vídeo do suposto crime.

"Também gostaríamos de afirmar com total consciência que a nossa organização jamais compactuou com qualquer ato criminoso de nenhum modo e jamais irá compactuar ou fazer apologias ao mesmo", afirma trecho de nota da Gamers Elite, time do estudante preso.

Vítima havia entrado no time de e-Sports em dezembro

Segundo Matheus Leal, responsável pelo marketing, comunicação e departamento pessoal do FBI E-Sports, Ingrid ingressou no time em dezembro de 2020. Com o apelido de "Sol", ela assumiu o esquadrão feminino e logo depois mudou para o masculino, "já que tinha grande habilidade no cenário competitivo."

"Ingrid, a Sol, era uma jogadora profissional que trouxe muito orgulho para equipe como um todo. Sua relação com os colegas era excelente e ela era amada por todos os jogadores da nossa organização, que para nós é como uma família", conta Leal, cujo apelido é "Krony".

Após o ocorrido, a equipe do FBI E-Sports mudou o nome do esquadrão feminino, que antes chamava "As Golpistas", para "Line Sol", em homenagem à jogadora.

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