Descrição de chapéu Coronavírus

Prefeitura de SP vai reservar segunda dose da vacina, diz secretário da Saúde

Edson Aparecido diz a vereadores não se sentir seguro para seguir determinação do Ministério da Saúde

São Paulo

Em sessão virtual realizada nesta terça-feira (23) na Câmara de Vereadores, o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, disse aos vereadores que a prefeitura não irá adotar a estratégia de usar todas as vacinas contra a Covid-19 disponíveis em estoque atualmente para a primeira dose.

A recomendação do uso de todas as vacinas reservadas para a segunda dose foi feita pelo Ministério da Saúde no último domingo (21). Segundo explicação do governo federal, a antecipação pode ser feita devido à aceleração da produção por parte do Instituto Butantan e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) a partir da chegada do insumo importado (IFA) da vacina.

O secretário Edson Aparecido durante vacinação de idosos a partir de 75 anos no drive-thru do Memorial da América Latina no dia 15 deste mês - Zanone Fraissat/15.mar.2021/Folhapress

“Nós não estamos adotando a estratégia de consumir a segunda dose da vacina. Não tenho segurança para isso. Então, nós só iniciamos a vacinação de um grupo se tiver a segunda dose. E não estamos usando a segunda dose para que ela seja a primeira dose. A gente quer ter a garantia de que quem recebeu a primeira dose vai receber a segunda dose”, afirmou Aparecido aos vereadores.

A decisão é contrária a do governo estadual. Na última segunda-feira (22), durante a entrega de mais de um milhão de doses do Instituto Butantan, o secretário estadual da Saúde, Jean Gorichteyn, afirmou que o estado de São Paulo seguirá a determinação do governo federal e usará 500 mil doses reservadas. "Isso permite sempre ampliar o faseamento de uma das faixas etárias, mas nós já estamos bastante adiantados em relação a todo o país. Dessa maneira, nós já estamos protegendo mais pessoas dessas faixas etárias", disse.

O comentário de Aparecido foi feito após a apresentação de um relatório onde ele apresentou a evolução da doença, a ocupação dos leitos de UTI e ainda as medidas que estão sendo adotadas para o combate à doença. Ao comentar a evolução dos casos, Aparecido afirmou que eles continuam em alta. “A gente está subindo a ladeira, estamos ainda subindo a montanha em termos de casos e de internações”, afirmou.

Segundo os dados apresentados pelo secretário, o perfil atual de quem mais precisa de internação é do chamado jovem-adulto, de pessoas da faixa etária de 20 anos a 45 anos. “Esse jovem está chegando no sistema de saúde em condições muito graves. Ele normalmente demora mais para procurar o sistema de saúde. Por isso, estamos pedindo para todo o mundo, para que nos primeiros sintomas, compareça a um atendimento de saúde”, afirmou.

Aparecido ainda disse que que 40 hospitais privados solicitaram leitos de UTI à prefeitura para acomodar pacientes sem convênio médico. Ele, contudo, não especificou o número de leitos solicitados. No dia 16 de março, ele afirmou que os hospitais privados haviam requisitado 30 vagas no SUS.

Ainda de acordo com os dados apresentados, atualmente a capital conta com 1.349 leitos de UTI e 1.222 leitos de enfermaria para tratamento de Covid-19. Sem citar nomes, Aparecido afirmou ainda que na próxima semana a Prefeitura de São Paulo deverá firmar uma parceria com uma universidade para a abertura de mais 200 leitos de enfermaria.

Oxigênio

Em relação à falta de oxigênio, ele disse que houve um aumento elevado na demanda pelo produto. “Um dos fornecedores fornecia para nós 55 m3 por dia de oxigênio. Hoje, estamos a quase 200 m3 por dia. A gente enchia um tambor de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) uma vez por semana. Agora, estamos enchendo um tambor três vezes por dia”, afirmou.

Ao comentar a reportagem da Folha de S.Paulo que relata a morte de três pessoas após a falta de oxigênio na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Ermelino Matarazzo (zona leste), ele disse se tratar de um “factóide”.

Após ouvir profissionais de saúde em caráter reservado, a reportagem relatou que a falta de oxigênio levou à morte de um paciente que estava na emergência, outra na observação e um terceiro enquanto era transferido para outra unidade.

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