Cabide de emprego terceirizado

Parece que não existem limites para a criatividade de nossos políticos e autoridades quando se trata de achar formas de tirar algum proveito da máquina de governo.

Não são apenas os esquemas de maracutaias bilionárias como os descobertos pela Operação Lava Jato. Às vezes os malfeitos são mais mixurucas, mas ainda assim ajudam a corromper o serviço público.

Um desses casos está em andamento na Secretaria de Habitação da prefeitura paulistana. A repartição, como revelou o jornal Folha de S.Paulo, utiliza empresas que mantêm contratos com o município para acomodar aliados, amigos e parentes de dirigentes políticos e servidores.

Essa não é aquela velha prática de distribuir cargos públicos de confiança para cupinchas dos caciques e dos partidos. Criaram na pasta, chefiada por Aloisio Pinheiro (PRB), ligado à Igreja Universal, uma espécie de cabide de empregos terceirizado.

Aloísio Barbosa Pinheiro, secretário de habitação de São Paulo - Divulgação/Prefeitura de São Paulo

São as empresas contratadas para obras e assessorias que acolhem, numa folha de pagamento paralela, membros do partido, fiéis da igreja e parentes indicados.

Pinheiro, que era adjunto, chegou ao comando da secretaria neste ano, na gestão de Bruno Covas (PSDB). O prefeito loteou o órgão para o PRB, com o objetivo de ganhar apoio da bancada religiosa.

Covas disse que vai pedir à Controladoria Geral do Município (CGM) uma apuração sobre o caso. Menos mal, desde que seja para valer.
 

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