Descrição de chapéu Opinião

Bem na Foto: Antirracismo

São Paulo

Casos de racismo no futebol não param de ocupar as páginas esportivas. Elenco aqui alguns recentes, que chamaram muito a atenção da opinião pública. No mês de outubro, na partida entre Bulgária e Inglaterra, disputada em Sofia, pelas eliminatórias da Eurocopa 2020, parte da torcida do país do leste europeu evocou cânticos racistas e gestos nazistas. O principal alvo foi o atacante do Liverpool, Raheem Sterling.

Torcedores búlgaros imitam macaco para provocar os jogadores negros da Inglaterra, no duelo pelas eliminatórias da Eurocopa 2020, em Sofia
Torcedores búlgaros imitam macaco para provocar os jogadores negros da Inglaterra, no duelo pelas eliminatórias da Eurocopa 2020, em Sofia - Nikolay Doychinov - 14.out.19/AFP

Apesar da resposta inglesa em campo, com uma sonora goleada de 6 a 0, o resultado desportivo pouco significa em face à gravidade do crime cometido pelos torcedores búlgaros. As punições brandas e nada intimidatórias escancaram como o racismo é estrutural na chamada “civilização” ocidental. 

Aqui no Brasil, no último dia 10, durante o clássico mineiro, um crime de injúria racial foi transmitido em rede nacional: torcedores do Galo agrediram verbalmente um segurança negro do estádio Mineirão. Na sexta-feira, no jogo entre Atlético-GO e Paraná, pela série B, um torcedor do Dragão xingou e fez gestos imitando um macaco, direcionados ao zagueiro reserva Eduardo Bauermann. 

Um levantamento inédito realizado pelo site GloboEsporte.com revelou que 48,1% dos jogadores e técnicos negros que trabalham nas séries A, B e C já foram vítimas de racismo. Um número, no mínimo, alarmante. Outro dado que escancara o racismo estrutural em nosso futebol está no banco de reservas. Dos técnicos dos 20 clubes da Série A, apenas Roger Machado (Bahia), Marcão (Fluminense) e o interino Coelho (Corinthians) são negros.

O futebol precisa aproveitar sua posição e dar exemplo. As entidades que o comandam precisam reconhecer sua branquitude e os privilégios dos brancos em sua estrutura. Não basta a campanha: “Diga não ao racismo”. É preciso combater de fato. É sempre urgente o pensamento da professora e filósofa norte-americana Angela Davis: “Em uma sociedade racista, não ser racista não é o bastante. Temos que ser antirracistas”.

Otavio Valle
Otavio Valle

47 anos, é jornalista formado pela Unesp, pós-graduado em Fotografia Aplicada pelo Centro Universitário Senac. Amante do esporte bretão e apaixonado pelas histórias das ruas da cidade. E-mail: otavio.valle@grupofolha.com.br

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