Consumidor que empresta o nome acaba se endividando

Pesquisa mostra que 24% dos que deixaram a inadimplência tinham dívida por ceder seu nome

Patrícia Pasquini
São Paulo

Dois em cada dez brasileiros que saíram da lista dos inadimplentes nos últimos 12 meses estavam endividados após emprestar o nome para outras pessoas.

É o que mostra levantamento da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito). O percentual dos que ficaram endividados por empréstimo do nome é de 24%. 

Fila no penúltimo dia do Feirão Limpa Nome na tenda armada sob o viaduto do Chá
Fila no penúltimo dia do Feirão Limpa Nome na tenda armada sob o viaduto do Chá - Rubens Cavallari/Folhapress 22 mar.2019

A engenheira Thaís Marinho, 24 anos, de Embu das Artes (Grande SP), conhece bem a situação. Em novembro de 2017, ela fez um empréstimo bancário para ajudar a namorada a mobiliar a nova casa.

“Ela perdeu o emprego na mesma semana e optou por usar o dinheiro que tinha para pagar o aluguel. Eu fiquei desempregada três meses depois.”

A dívida em nome da namorada subiu de R$ 1.300 para R$ 4.000. “Mesmo com o fim do namoro, ela prometeu que pagaria os valores para limpar meu nome.”

Assim com o Thaís, 51% dos entrevistados cederam o nome com a intenção de ajudar alguém, enquanto 16% ficaram com vergonha de dizer não ao pedido.

Segundo a pesquisa, em 35% dos casos, o empréstimo foi feito por meio de cartão de crédito, 20% no cartão de loja, 17% em financiamentos e 14% para fazer empréstimos variados.

“Quem pede o nome emprestado é porque não tem crédito ou está com a vida financeira desorganizada, então o risco de não receber o valor gasto é alto”, avalia o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli.
“Não se deve ceder ao pedido sem antes refletir sobre as consequências dessa decisão. Do ponto de vista legal, quem emprestou o nome é sempre o responsável pela dívida feita”, alerta.

Para Vignoli, ninguém deve se sentir culpado por dizer não nestes casos. “Há formas de negar o pedido. Primeiro, você não precisa responder imediatamente. Geralmente, as pessoas são pegas de surpresa e não têm tempo para refletir. Diga que vai consultar o marido, a mulher ou a família”, ensina o educador.

Pesquisa | Endividamento

  • Dois entre dez brasileiros que saíram do endividamento nos últimos 12 meses estavam devendo por ter emprestado o nome a terceiros
  • O estudo, do SPC Brasil e da câmara dos lojistas, mostra que a maioria quer ajudar quem precisa e muitos têm vergonha de dizer não

Quem pediu:
 

Amigos 27%
Pais 14%
Filhos  14%
Cônjuges 13%
Colegas de trabalho 12%


Por que emprestou:

Intenção
de ajudar
51%
Vergonha
de dizer não
16%


O que foi comprado:

Produtos eletrônicos 22%
Eletrodomésticos 19%
Materiais de construção  11%
Móveis 
para casa
10%


A pesquisa aponta que 32% dos entrevistados não sabiam o que seria adquirido com a compra feita em seu nome


Como se deu o empréstimo do nome:

Por cartão de crédito 35%
Cartão de loja 20%
Financiamento  17%
Empréstimos em geral 14%


Cobrança e pagamento:
30% não cobraram a dívida
68% cobraram a dívida, mas não foram ressarcidos


Destes: 48% ouviram que a pessoa não teria dinheiro para pagar 38% ouviram que a dívida seria paga quando tivesse condições 12% conseguiram receber o valor integral Em 8% dos casos, a pessoa sumiu sem dar satisfações
 

Relações pessoais

  • A dívida abalou o relacionamento de 94%
  •  A amizade acabou em 32% dos casos
     

Saída da inadimplência

90% arcaram com o valor do empréstimo de terceiros e mudaram algum hábito, como:

  1. 37% Economizar e cortar gastos no orçamento
  2. 23% Fazer um bico
  3. 23% Contrair um empréstimo ou pedir dinheiro emprestado a terceiros


Recomendações

  1. 1. Nunca empreste ou peça o nome emprestado, mesmo que seja para algum parente ou amigo íntimo
  2. 2. Não se sinta culpado por negar o pedido
  3. 3. Se for alguém muito próximo, analise o pedido com calma e envolva a família na decisão4. Verifique se o motivo do empréstimo é supérfluo
     

Fontes: CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e SPC (Serviço de Proteção ao Crédito Brasil)

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