Plano Real faz 25 anos com nota de R$ 100 valendo R$ 16,40

Moeda freou hiperinflação, devolveu poder de compra aos brasileiros e estabilizou economia

Laísa Dall'Agnol
São Paulo

Assim como a morte de Ayrton Senna e a conquista do tetra pela seleção marcaram 1994, outro episódio naquele ano ficou na memória dos brasileiros: a implantação do Plano Real.

Chave para controlar a inflação e devolver o poder de compra à população, o real permitiu que coisas simples (como um orçamento doméstico) voltassem a existir.

Passados vinte e cinco anos, a moeda de maior tempo em circulação da história do país já acumula inflação de 508%. Nada, se comparado à era pré-real.

“Tínhamos um índice inflacionário que chegava a 5.000% no acumulado de 1994. Uma taxa como a que temos, em 25 anos, é algo muito positivo”, explica o matemático financeiro José Dutra Vieira Sobrinho.

Segundo ele, uma nota de R$ 100, na época, valeria hoje apenas R$ 16,40.

“Seria preciso gastar, hoje, R$ 608 para comprar aquilo que, há 25 anos, seria adquirido com R$ 100”.

A pedagoga Jarede Carvalho, 54, ainda se lembra dos reajustes constantes dos preços nos supermercados.

“Na década de 1980, era rotina ao fazer compras ver os funcionários com as maquininhas remarcando os produtos, pela manhã e à tarde, sempre para mais. Formavam-se longas filas nos supermercados no dia do pagamento dos salários e as famílias faziam a compra do mês inteiro para garantir os preços”, diz.

Para a pedagoga, o real foi um ‘respiro de alívio’, e não só pelos preços mais controlados.

“Desse período até o começo dos anos 2000, eu e minha família conseguimos ampliar nosso patrimônio, fazer algumas economias, viajar e planejar um futuro, algo que era impensável antes”, afirma.

"Era uma loucura”, diz a pedagoga Jarede Carvalho sobre inflação na década de 80: preços eram reajustados até mais de uma vez ao dia  - Rivaldo Gomes/Folhapress

Desemprego equivale ao fantasma da inflação

Depois de 25 anos, o Plano Real pode ser considerado uma das mais bem-sucedidas medidas econômicas da história do país.

“A substituição pelo real foi a troca de moeda de maior êxito do mundo, nunca mais tivemos índices de inflação como antes”, diz o matemático José Dutra.

Hoje, o país tem outras questões, como o desemprego, que atinge 13 milhões de pessoas, segundo o IBGE.

O medo de não ter trabalho cresceu, aponta a CNI (confederação da indústria), e hoje chega a 59,3 pontos.

“Planejar o futuro se tornou mais difícil, porque temos outros desafios a encarar. Nosso dragão não é mais a hiperinflação, mas sim a falta de empregos”, diz a pedagoga Jarede.

Perda no poder de compra​

Quanto a moeda se desvalorizou

  • O Plano Real foi lançado em 1º de julho de 1994

  • De 1º de  julho de 1994 até 1º de julho deste ano, a moeda teve desvalorização de 83,6%

A inflação

  • Em 25 anos de existência do Real, a inflação oficial acumulada (de 1º de julho de 1994 até 1º de junho de 2019) foi de 508%

  • Nesse período, a maior taxa anual de inflação foi no ano de 1995 (12,53%) e a menor em 1998 (1,66%)

  • Um produto que custava R$ 1 em 1994 custa hoje R$ 6,08

arte agora desvalorizaçao notas de real
Arte Agora: desvalorização das notas de real - Arte Agora
arte agora desvalorizaçao notas de real
Arte Agora: desvalorização das notas de real - Arte Agora

Outras notas

Valor em julho de 1994 Valor em junho de 2019
R$ 10 R$ 1,64
R$ 5 R$ 0,82
R$ 1 R$ 0,16

Vale pouco

  • Por causa da desvalorização, a nota de R$ 1 deixou de ser impressa em 2005 pela Casa da Moeda

  • A cédula, no entanto, ainda tem validade e pode ser utilizada no comércio, embora tenha mais valor entre colecionadores do que seu próprio valor nominal

Sem balinha

  • Em 25 anos, o valor das moedas de R$ 0,01 e R$ 0,10 praticamente desapareceu

  • A moeda de R$ 0,01 não é mais produzida desde 2004

Quanto era há 25 anos e quanto é agora?

  • Cesta básica de alimentos (na cidade de São Paulo)

(Formada por itens como: carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata e pão)

Julho/1994: R$ 67,40

Junho/2019: R$ 501,68​

  • Salário mínimo

Julho/1994: R$ 67,40

Junho/2019: R$ 998

Fonte: Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos)

Assuntos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.