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Distritos da capital estão esquecidos de cultura e lazer

Pesquisa mostra que a população de cinco distritos é carente de diversão

Elaine Granconato
São Paulo

Cinco distritos da capital não possuem nenhum equipamento cultural, entre cinemas, museus, teatros, bibliotecas e centros, de acordo com pesquisa da Rede Nossa São Paulo.

Com exceção de Marsilac, área rural localizada a 45 km da praça da Sé (centro) e no extremo sul da cidade, regiões populosas da Cidade Ademar (zona sul), Vila Medeiros (zona norte), Ponte Rasa e Vila Matilde (zona leste) ficam marginalizadas às atividades que produzam cultura e diversão.

"Eu tenho fome de ler", diz a ajudante geral Silvia Maria de Souza Gardini, 59 anos de vida e 27 de Cidade Ademar. A moradora pede uma biblioteca pública no bairro. Nascido e criado na região, o mecânico Luiz Gonzaga da Silva Filho, 31, diz que no bairro onde mora se paga até para jogar futebol. "Ou a gente tem de ir até o Shopping Interlagos [em Interlagos, zona sul] em busca de outro tipo de diversão."

A pesquisa aponta exatamente que preços mais acessíveis (42%), proximidade de casa (25%) e facilidade de acesso/locomoção (12%) são os principais fatores que fariam com que as pessoas frequentassem mais atividades culturais e de lazer.

"O estudo revela que a demanda é por equipamentos culturais com preços baixos e descentralizados na cidade. Hoje, inexistem praticamente nas periferias", diz o sociólogo e coordenador da Rede Nossa São Paulo, Américo Sampaio, 30 anos.

A pesquisa diz que 28% das pessoas não frequentaram nenhuma atividade cultural nos últimos 12 meses. Neste grupo, o perfil é de gente menos escolarizada, acima de 55 anos, com renda familiar de até dois salários mínimos, pretos e pardos e moradores da zona leste.

Caso da cuidadora de idosos Regina Aparecida Albero, 57 anos, que reside na Ponte Rasa e sobrevive de bicos. Ela não tem como bancar o ingresso de um cinema. "Não temos nada aqui", afirma. Nas horas vagas, inclusive, serve de zeladora na praça Giovanni Fiani. "Varro as folhas caídas todos os dias."

Cidade Ademar

Quando o poder público não cumpre o seu papel na grande maioria das vezes, sempre existe um cidadão do bem para ajudar o próximo e servir de exemplo. Assim como Jorge Martins, 66 anos, que resolveu vender ou mesmo doar cultura na sua "livraria" improvisada na praça comunitária Ligia Maria Salgado Nóbrega, no Jardim Itacolomi, na Cidade Ademar.

Há 33 anos, segundo Martins, ele vende livros usados para a população. Os preços módicos variam entre R$ 1 e R$ 5. "Mas quem não tem dinheiro, claro que leva do mesmo jeito", garante.

Os livros, revistas e até mesmo discos de vinis são frutos de doação. "O que não serve para um serve para outro", afirma o vendedor nascido no Espírito Santo do Pinhal (189 km de SP).

Ciente da falta de biblioteca pública no bairro, Martins se orgulha de contribuir na educação dos mais jovens. "A salvação da turma aqui sou eu", diz, ao acrescentar que sua banca não tem luxo - ele não soube informar o número atual do acervo.

"Eu gosto de comprar livros evangélicos, mas tem muito estudante que frequenta aqui", afirma o autônomo Ronei Sales, 34 anos, um dos clientes cativos de Martins.

Na hora de ir para casa, Martins joga, simplesmente, lonas práticas na banca para proteção dos livros. "Até hoje, ninguém levou nada daqui", afirma.

De vez em quando, o "rapa" da Prefeitura de São Paulo aparece. "Vocês estão levando cultura", diz.

As praças que poderiam ser local de diversão onde não há cultura, sofrem com falta de manutenção. Na Cidade Ademar, os brinquedos da praça comunitária estão praticamente todos quebrados.

O mesmo ocorre com o escorregador da Praça Vereador João Aparecido de Paula, na Na Vila Matilde. Já na Vila Medeiros, praças praticamente inexistem. "Seria importante ter equipamentos esportivos gratuitos", diz o estudante Vinicius Alves Prado, 21 anos.

Resposta

A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), diz, em nota, que a Secretaria Municipal de Cultura possui equipamentos em regiões periféricas da cidade como opções de lazer aos cidadãos, além do complexo cultural existente nas regiões mais centrais.

A rede municipal de ensino tem 46 CEUs (Centros Educacionais Unificados), todos possuem bibliotecas abertas ao público e salas de teatro, inclusive para apresentação de shows.

As regiões citadas são atendidas por CEUs, como a unidade Parelheiros (Marsilac), Tiquatira (Vila Matilde), Jaçanã (Vila Medeiros), Caminho do Mar (Cidade Ademar), Quinta do Sol (Ponte Rasa).

Quanto às salas de cinemas, o Circuito SPCine disponibiliza 20 salas em diferentes regiões.

Em maio, a Casa de Cultura em Parelheiros, região em que o distrito de Marsilac, será inaugurada.
As praças com problemas citadas serão vistoriadas nesta semana.

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