Descrição de chapéu Zona Leste

Parque do Carmo sofre com abandono na manutenção

Buracos, tábuas soltas, pintura velha e banheiro fechado são falhas

Elaine Granconato

O Parque do Carmo, área verde municipal de 1,5 milhão de m² na zona leste e o segundo maior da região metropolitana de São Paulo, apresenta problemas de falta de manutenção. Pistas de caminhada e cooper têm trechos intransitáveis por conta dos buracos e poças de água. As áreas de lazer com churrasqueiras em alvenaria estão completamente destruídas e sem grelhas.

Brinquedos quebrados são alguns dos problemas do Parque do Carmo, na zona leste da capital paulista - Rivaldo Gomes/Folhapress

Até mesmo uma das pontes do parque, que passa sob uma nascente de água, apresenta sinais claros de deterioração do tempo. Tábuas estão soltas e muitas já destruídas, mas que ainda não foram repostas. O local, inclusive, está sendo evitado pelos frequentadores.

A falta de pintura nova é visível tanto nas partes externas quanto nas internas da área verde, que possui cerca de 6 mil árvores, entre eucaliptos e cerejeiras, bem como nos quiosques, cestos de lixos e bancos de madeira espalhados pelo entorno. Muitos deles estão sem assentos.
O ciclista Olenildo de Almeida, morador em São Mateus (zona leste), aproveitava ontem sua folga como porteiro para pedalar com sua bike. “Há muitos buracos e rachaduras na ciclofaixa, fora os desníveis, que pioram com a chuva”, afirma.

Outra dificuldade pelo parque é encontrar bebedouro em boas condições de higiene e com funcionamento normal. O jato de água de alguns é falho, sem força suficiente. “Quando não há falta de água”, diz o motorista Roberto da Silva, 72 anos, que fazia sua leitura.

Silva também reclama de alguns banheiros estarem fechados, o que foi confirmado pela reportagem do Agora ao encontrar cadeados em alguns deles.

“O parquinho precisa de manutenção urgente”, diz a analista de suporte Simone Fernandes, 28 anos, ao lado da filha Livia, 5 anos. De cinco balanços, apenas um podia ser utilizado. As gangorras estavam quebradas.

Plano de privatização

Localizado na avenida Afonso de Sampaio e Sousa, 951, o Parque do Carmo, que oficialmente leva o nome do ex-banqueiro e ex-prefeito da capital Olavo Egydio Setubal, é um dos que consta na lista da Prefeitura de São Paulo, da gestão Bruno Covas (PSDB), para concessão à iniciativa privada.

A proposta, na verdade, surgiu ainda quando o atual governador João Doria (PSDB) era o prefeito e Bruno Covas (PSDB), o vice, exatamente em maio de 2017. No total, 14 parques seriam privatizados. Entre os quais, as áreas verdes do Ibirapuera, da Aclimação, do Trianon, da Luz e da Vila Prudente.

Na época, o edital não seguiu em frente por conta de alguns problemas no caminho. Entre eles, as dificuldades algumas entidades e ativistas ligados ao meio ambiente temiam que a mercantilização dos parques levasse à exclusão da população mais pobre.

A gestão Bruno Covas retomou o assunto em janeiro deste ano. Houve alteração no edital em relação ao primeiro publicado por Doria. Agora, o concessionário vencedor ficará obrigado a manter o acesso das áreas verdes livre e gratuito por 35 anos.

O valor previsto de investimento nos parques é de R$ 167 milhões. Nesta primeira fase, estariam os parques Ibirapuera (zona sul), Lajeado (zona leste), Tenente Faria Lima (zona norte), Eucaliptos (zona oeste) e Jardim Alberto (zona norte).

Resposta

A Prefeitura de São Paulo, da gestão Bruno Covas (PSDB), por meio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, diz, em nota, os reparos dos buracos nas pistas de caminhada e na área do estacionamento do Parque do Carmo serão iniciados ainda nesta semana.
Quanto à ponte de madeira, segundo a pasta, também será reformada e reaberta à população em até 30 dias.

Segundo a secretaria, os canos de distribuição de água da área verde foram rompidos por um acidente durante obra de canalização de água pluvial. O reparo já foi solicitado e será finalizado até a próxima semana.

Os banheiros do parque devem ser reabertos em até duas semanas, após os consertos necessários. Dito isso, a pasta pede o apoio da população para que práticas que danifiquem o patrimônio público sejam evitadas, “considerando que o espaço sofreu com atos de vandalismo. Os usuários também podem auxiliar os vigilantes patrimoniais acionando-os quando presenciarem esse tipo de delito e mantendo o espaço limpo e em ordem”.

Para os demais apontamentos feitos pela reportagem do Agora, a secretaria afirma que enviará equipe ao local para vistoria técnica. Informa ainda que “os ajustes serão realizados, se necessários”

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