Em 9 anos, 11 mil armas são levadas das casas por ladrões

Em média, são 3,4 ocorrências por dia no estado de São Paulo

Alfredo Henrique
São Paulo

Em nove anos, a polícia registrou 2.870 roubos e 8.415 furtos de armas de fogo dentro de residências e condomínios no estado de São Paulo, totalizando 11.285 casos. O número representa uma média de 3,4 ocorrências do tipo diárias.

Apreensão de armas em Campo Belo (zona sul) - Divulgação/Polícia Militar

Os dados foram enviados ao Agora pela Secretaria Estadual da Segurança Pública, gestão João Doria (PSDB), via Lei de Acesso à Informação.

Dois criminosos furtaram um revólver dentro da casa de um oficial da PM, no Dia dos Pais do ano passado, na Grande São Paulo. O policial viajava com a família em Minas Gerais e foi informado sobre o crime por vizinhos.

Ele disse ao Agora que ladrões pularam o muro da casa, arrombaram o imóvel e levaram joias, eletroeletrônicos além de um revólver calibre 38. “Graças à Vizinhança Solidária [projeto da PM] foi possível identificar os dois suspeitos”, afirmou o policial. A arma levada, no entanto, não foi recuperada.

Preferido dos bandidos

O revólver foi o tipo de arma mais levado por criminosos de dentro de imóveis residenciais nesse período. Foram roubadas 1.373 armas desse tipo e furtadas, 4.040, entre 2010 e 2018.

O período corresponde à consolidação dos registros do tipo, feitos pela Polícia Civil, em todos os  municípios paulistas. As pistolas ficam em segundo e as espingardas, em terceiro.

Os três tipos de armas também foram as mais apreendidas com criminosos em 2014, na região sudeste do país, diz estudo realizado pelo Instituto Sou da Paz.

Segundo pesquisa, foram apreendidas 49.248 armas com bandidos, das quais 24.333 eram revólveres (49,4%), 10.505 pistolas (21,3%) e 7.727 espingardas (15,7%).

Em 2014, de acordo com dados da SSP, foram roubados 118 revólveres e 465 furtados. Foram roubadas 81 pistolas e 305 furtadas. Houve o roubo de 35 espingardas e 101 furtadas.

A posse de armas foi facilitada em janeiro com decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Posse em imóveis divide opiniões

Bruno Langeani, especialista em segurança pública do Instituto Sou da Paz, diz que o levantamento sobre furtos e roubos de armamentos em imóveis residenciais evidencia a conexão entre o mercado legal e ilegal de armas no Brasil.

“Muitas vezes, ter uma arma de fogo em casa não evita que o criminoso invada a residência, facilitando que mais uma arma caia na mão do crime”, afirma.

Langeani explica que, com mais armas passíveis de serem roubadas e furtadas, as pessoas que não querem se armar poderão sofrer as consequências nas ruas, com assaltos, por exemplo.

“As pessoas muitas vezes argumentam que a compra de arma é para defender a residência. Quando se vê o volume de casos em que o criminoso entra nas casas e leva as armas que estão nos imóveis, isso mostra como o argumento é falacioso.”

Ele também desaprovou o decreto do presidente Jair Bolsonaro (PSL), de janeiro, que facilita a posse de armas em casa. “Aumentar o tempo de renovação dos registros [de 5 para 10 anos] pode dificultar o monitoramento de onde estão as armas”, afirma. “O proprietário pode se mudar de endereço e não comunicar às autoridades.”,

Já Benê Barbosa, presidente do movimento Viva Brasil, que é a favor da flexibilização da posse de armas, por outro lado, diz que os caminhos dos armamentos ilegais “são muitos”.

“‘Também ocorre contrabando, desaparecimento de armas em delegacias, ou batalhões da Polícia Militar. Não é culpa do cidadão o fato de os criminosos se armarem mediante furtos e roubos”, afirma.

Secretaria diz que número teve queda

A SSP (Secretaria da Segurança Pública), gestão João Doria (PSDB), diz que, durante o período analisado pelo Agora, houve redução no número de casos de roubos e furtos de armas, assim como o armamento levado por bandidos, de dentro de casas e condomínios.

“Entre 2010 e 2018, o número de casos dessas naturezas diminuiu 30%, com 769 ocorrências no ano passado ante 1.106 em 2010”, diz,

A pasta afirma que, o total de armas de fogo roubadas ou furtadas em residências caiu no período, de 41% e 21%, respectivamente. “As polícias Civil e Militar apreenderam 156.670 armas.”

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