Descrição de chapéu Zona Leste

Prefeitura não retira entulho de demolição ao lado de Cohab

Obra ocorreu em novembro e promessa era retirada "nos próximos dias"

Mariangela de Castro
São Paulo

Ao contrário do que foi prometido pela gestão Bruno Covas (PSDB), o entulho no terreno da avenida Professor João Batista Conti, Cohab (Conjunto Habitacional) José Bonifácio, em Itaquera (zona leste), antigo centro comercial, ainda não foi removido.

Entulho de demolição na Cohab José Bonifácio (zona leste) - Rubens Cavallari/Folhapress

Em reportagem publicada pelo Agora no dia 2 de abril, a promessa da prefeitura era retirar o entulho "nos próximos dias".

O terreno abrigava 48 imóveis de um centro comercial desativado, que havia sido construído durante a década de 1980. Os prédios foram demolidos em novembro e, após isso, os moradores da região estão depositando mais lixo e entulho no local, o que prejudica os outros moradores, atrai insetos e pequenos animais e danifica o espaço, segundo o ex-bancário aposentado Sílvio Luís Lopes, de 56 anos.


"Todo mundo vai lá jogar lixo, virou um ponto de descarte, tem desde lixo orgânico até restos de obra, bolsas, vaso sanitário, tudo o que se pode imaginar", conta Lopes. "Eu estou aqui há 24 anos, moro a menos de 50 metros deste terreno e nunca vi nada assim. É um descaso muito grande", diz. 

A Cohab é a responsável pelo terreno. Desde a demolição, o espaço também foi ocupado por pessoas em situação de rua e usuários de droga.

Para o cabeleireiro Adriano Limeira Takiuti, 23 anos, um dos principais problemas é o barulho à noite. "Eu não consigo mais dormir, de madrugada muitas pessoas vão lá e ficam batendo nas antigas colunas do centro comercial para tentar retirar o ferro dos restos de construção e, depois, vender. Isso incomoda bastante", comenta.

Nos últimos meses, o cabeleireiro também observou um aumento no número de insetos e animais na região. "A gente vê muito rato, pulga, carrapato. Tudo em frente ao nosso prédio."

O coordenador de contratos Ricardo Dino de Freitas, de 43 anos, relata o mesmo problema. Ele, que mora na região há 10 anos, descreve a situação como "caótica". Quando o centro comercial foi demolido, Freitas acreditava que a área seria cercada por tapumes e, então, receberia uma nova construção, mas isso não foi feito. "A ausência de ação da Prefeitura é nítida, são pelo menos mil famílias na região".

Resposta

A Secretaria Municipal de Habitação diz que já foi providenciada a abertura de processo para contratação de empresa especializada para adequação, transporte, demolição e remoção de entulhos.

Segundo a prefeitura, no momento, o processo está na etapa de apuração de orçamento. Já a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social diz que atende frequentemente o local citado realizando trabalho de escuta, sensibilização e oferta dos serviços da rede socioassistencial às pessoas.

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