Perda de água volta a crescer na capital paulista

35% do volume é perdido na rede de distribuição

São Paulo

Após a crise hídrica que atingiu o estado de São Paulo em 2014, a perda de água em vazamentos, roubos e defeitos de tubulação volta a aumentar na capital. Segundo levantamento anual publicado nesta terça-feira (23) pelo instituto Trata Brasil, 30% de água produzida para a capital é perdida no faturamento e 35,48% é desperdiçada na distribuição. Os dados divulgados refletem a situação da capital em 2017.

Vazamento de água na avenida Dona Belmira Marin, no Grajaú (zona sul) - Rubens Cavallari - 4.abr.2014/Folhapress

O presidente executivo do instituto, Edson Carlos, explica que esses índices medem, respectivamente, a quantidade de água que é produzida pela Sabesp e não é cobrada, e a quantidade de água que é produzida e não é entregue oficialmente. As razões para estas perdas podem ser vazamentos, gatos, roubos, defeitos na tubulação, erros de medição e até a cobranças da tarifa mínima.

Após a crise hídrica, a perda diminuiu em cerca de 30%. Porém, em 2016 e 2017, voltou a crescer. Segundo Edson Carlos, isto acontece porque, na crise de 2015, havia “pouca água para mandar à população”. Sendo assim, o volume foi condensado e as tubulações passaram a trabalhar esvaziadas durante maior tempo do que o usual, o que diminuiu a pressão. 

“A pressão da água ajuda a conservar tubulações. Quando as tubulações são esvaziadas, algumas juntas podem se deslocar e a liga dos tubos pode se desequilibrar. Sendo assim, ao encher as tubulações novamente, é normal que apareçam novos e mais vazamentos”, diz. Para Edson Carlos, a melhor forma de reduzir o volume de vazamentos é investir na conservação e troca das tubulações. Em países mais desenvolvidos, a perda varia entre 14% e 15%.

Resposta

Segundo a Sabesp, apesar de apresentarem “tendência de aumento”, os indicadores estão retornando aos patamares anteriores à escassez hídrica. A companhia diz que a redução dos indicadores até dezembro de 2015 foi influenciada pela “gestão de pressão” da “restrição hídrica”.

Com o fim da crise, os indicadores estariam se estabilizando. A Sabesp diz que cerca de um terço das perdas de micromedição, cerca de 10 pontos percentuais, estão relacionadas a fraudes e falhas nos hidrômetros.

Diz ainda que os indicadores de perda apurados pela companhia, IPF (Índice de Perda de Faturamento) e IPM (Índice de Perdas na Micromedição), divergem dos valores divulgados pelo instituto Trata Brasil (22,2% e 32,8% respectivamente). Por fim, a empresa diz que faz investimentos.

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