Escadões do centro de São Paulo estão sujos e fedidos

Vigilante encontrou lixo, urina, fezes e mato nas escadarias da região central

Elaine Granconato
São Paulo

Espalhadas por todos os cantos da capital paulista, as escadarias interligam ruas e, muitas vezes, encurtam caminhos. Mas o cenário das existentes na região de central de São Paulo é de degradação, sujeira e até mesmo insegurança para as pessoas que precisam passar por elas.

Homem sobe correndo o escadão do viaduto Nove de Julho com a rua João Adolfo
Homem sobe correndo o escadão do viaduto Nove de Julho com a rua João Adolfo - Jardiel Carvalho/Folhapress

A reportagem do Vigilante Agora subiu e desceu quase 900 degraus em 11 locais visitados na última terça-feira (30). Na maioria deles, a sensação era de estar em um banheiro público a céu aberto, entre outros problemas.

“Um dos cartões postais da cidade fede xixi e cocô. As pessoas usam aqui como privada, sem falar que está toda enferrujada”, diz o churrasqueiro desempregado Edison Antero da Silva, 52 anos, que descia os 59 degraus da escadaria do viaduto Santa Efigênia, sentido largo São Bento para a praça Pedro Lessa.

A mesma indignação era da enfermeira aposentada Vera Trench, 60, que há cinco anos trocou o Brasil por Madri, na Espanha. 

“Eu acho um caos, desorganização, uma cidade que não preserva os pontos históricos”, afirma, ao lado da filha Clara Stecher, 21 anos, que cursa universidade de línguas em solo espanhol.

Para Vera, o que falta é um trabalho social com a população de rua, referindo-se ao odor de urina no mesmo escadão. 

Na região da Bela Vista, o escadão ao lado do viaduto Nove de Julho era o retrato da falta de educação de alguns. Pelos degraus, roupas, calçados e cereais, provavelmente doados, foram descartados. Alguns canteiros nas laterais, sem vegetação, abrigavam embalagens plásticas e garrafas.

A segurança também foi alvo de reclamações. “Atravessar aqui é muito perigoso por conta dos assaltos, inclusive de dia”, diz um cozinheiro, 50 anos, que pediu para não ser identificado. Ele sobe diariamente a escadaria da rua Avanhandava, que termina na rua Caio Prado (Bela Vista).

O motorista de aplicativo Kleber Lopes de Souza, 41 anos, confirma. “É perigoso. Eu não tenho coragem de subir à noite. Os caras roubam mesmo”, afirma o morador do Tremenbé (zona norte da capital).

Além da falta de segurança, as escadarias não têm cor. A ONG Cidade Ativa possui o projeto Olhe o Degrau, que promove intervenções físicas simples nos espaços públicos, com a participação da comunidade. Atualmente, desenvolve ação no Higienópolis (centro), junto à  associação de bairros.

Prefeitura diz que varrição é todos os dias

A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), diz que a Subprefeitura Sé realiza diariamente a limpeza e varrição dos locais citados. Os escadões da rua Líbero Badaró serão reformados com a revitalização do Vale do Anhangabaú.

Estado afirma ter ações na região

Quanto aos furtos e roubos, a Secretaria Estadual de Segurança Pública, gestão João Doria (PSDB), diz que as polícias Civil e Militar realizam diversas ações para combater os crimes contra o patrimônio. Neste ano, “106 criminosos foram presos ou apreendidos por roubos e furtos” nas respectivas escadarias. 

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.