Estações do metrô estão sem o serviço de internet grátis

Problema com disponibilização do wi-fi livre atinge linhas 1-azul, 2-verde e 3-vermelha

Mariangela de Castro
São Paulo

O wi-fi livre das linhas 1-azul, 2-verde e 3-vermelha do Metrô de SP não está funcionando desde o início de 2019, segundo funcionários. A reportagem do Agora esteve em 12 estações na manhã de quarta (31) e não conseguiu utilizar o serviço em nenhum dos pontos.

Ponto de wi-fi da estação Marechal Deodoro, na linha 3-vermelha do metrô, com um cartaz avisando que ele estava fora do ar na manhã de quarta-feira; falta do serviço atinge três linhas - Jardiel Carvalho/Folhapress

Em seis das estações (Barra Funda, República, Sé, São Joaquim, Vergueiro e Ana Rosa), o sinal de wi-fi aparece nos aparelhos como “conectado sem internet” e não permite realização de login ou cadastro.

Nas outras estações (Marechal Deodoro, Santa Cecília, Anhangabaú, Liberdade, Luz e Paraíso), a rede não aparece como disponível, apesar dos avisos de “wi-fi livre” colados nas paredes.

Na estação República, um dos funcionários disse que o contrato com a empresa que fornece o serviço foi cortado há cerca de oito meses nas três linhas. E que ainda não há previsão de quando será retomado.

Na estação São Joaquim, outro funcionário completou que a nova empresa provedora ainda não conseguiu instalar os roteadores em todas as estações. 

Nenhum funcionário das 12 estações, no entanto, soube informar quando o serviço iria voltar a funcionar. Nas estações Marechal Deodoro, Vergueiro e República, foi dito que a suspensão do wi-fi é permanente.

“Eu não tenho pacote de dados no celular, então sem o wi-fi não consigo me conectar nem falar com as pessoas caso aconteça algum imprevisto”, diz a estudante Jéssica Velt, 20 anos. 

O estagiário de engenharia elétrica Gabriel Ezequias, 20, também reclama da falta do serviço de wi-fi e diz que a conexão precisa ser menos burocrática. 

“Mesmo quando o wi-fi estava funcionando, o sinal da rede costumava ser muito instável, então desconectava várias vezes e, sempre que isso acontecia, tínhamos de preencher todos os dados novamente. Isso gasta muito tempo”, diz.

Falha no sinal

Para o auxiliar adjunto Lucas Vinícius, 19 anos, o maior problema da falta de wi-fi é que em muitas das estações de metrô o sinal de 4G da operadora não funciona, devido a profundidade das plataformas. Nestes casos, o wi-fi livre era a única maneira de se comunicar.

Esse sinal era importante demais para a comunicação, ainda mais na cidade São Paulo, em que toda hora acontece algum imprevisto ou tem alguma informação importante para ser repassada”, comenta Vinícius. “Faz muita falta, principalmente para quem não tem dinheiro para contratar um pacote de dados.”

A auxiliar de limpeza Jaiane Alves, 27 anos, reforça que em estações mais movimentas o wi-fi era utilizado por “muita gente”, inclusive para trabalhar. “Eu passo grande parte do dia no metrô e sempre tenho de falar com meus clientes. A internet deixou de ser um lazer, é essencial para todas as áreas. Sem o wi-fi, todo mundo acaba sendo prejudicado”, diz.

Soluções

Segundo Gustavo Fernandes, professor do departamento de Gestão de Políticas Públicas da FGV, é difícil pensar em uma justificativa que explique uma interrupção permanente no serviço de wi-fi livre no metrô.
Para ele, existem diversos elementos que podem ser pensados pela administração pública para que o custo do wi-fi seja reduzido, como aliar a rede de conexão com publicidades e propagandas de empresas privadas.

“Se forem buscados patrocínios é possível reduzir muito os custos deste serviço. O wi-fi no metrô representa um peso a menos nos gastos de cada família, principalmente se considerarmos como é baixa a renda média do brasileiro”, comenta o professor.

Fernandes ressalta que, sem o wi-fi, o usuário, além de ficar silenciado, perde opções de produzir. “Em São Paulo, as pessoas passam muito tempo se deslocando dentro do metrô. Com o sinal da internet, este tempo pode passar a ser útil, isso é importantíssimo”.

O especialista em direito do consumidor da Universidade Presbiteriana Mackenzie de Campinas, Bruno Boris, comenta que pelos princípios da Constituição, se um serviço for suspenso, o mais respeitoso com o cidadão é comunicar previamente a suspensão.

“O wi-fi livre não é considerado um serviço essencial, como é a saúde pública, por exemplo. Retirar essa facilidade do cidadão não é ilegal, mas o adequado é realizar uma comunicação transparente e prévia”.

Resposta

O Metrô diz que estuda a implementação de wi-fi em todas as estações até dezembro de 2022. “Neste momento oferece wi-fi gratuito em 38 estações desde 2017”, diz, em nota.

“A empresa responsável pelo serviço deu início ao processo de substituição do provedor e, enquanto o novo provedor estiver sendo instalado, pode ocorrer casos de interrupção momentânea na estação onde o serviço está sendo realizado. O tempo de execução depende da complexidade do entorno. Todo o processo de substituição deverá ser entregue até o final do ano.” (MC)

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