Descrição de chapéu Centro

Pais temem corte de verba em instituição para deficientes em SP

Gestão Covas já teria informado organização da Aclimação que cortará quase metade de repasse

Marcelo Mora
São Paulo

Mães de crianças e jovens com deficiência intelectual estão apreensivas com um possível corte de quase 50% no repasse de verbas por parte da Secretaria Municipal da Assistência e Desenvolvimento Social à Instituição Beneficente Nosso Lar, especializada neste tipo de atendimento, na região da Aclimação (região central).

Desde janeiro, quando foi assinado o convênio, a instituição recebe R$ 47 mil mensais, em contrato por cinco anos. Uma notificação de gestão Bruno Covas (PSDB), contudo, afirmou que esse valor cairia para R$ 26,9 mil mensais já a partir de outubro, conforme apurou a reportagem. 

Com a redução, a instituição vai deixar de atender ao menos metade dos 80 beneficiários atuais, segundo informado aos pais.

Os recursos públicos representam 39% do montante arrecadado pela Nosso Lar, que vai de R$ 70 mil a R$ 80 mil mensais. 

Carla Padula, 57 anos, com o filho Pedro, 22, que tem microcefalia; medo de perder vaga em instituição de atendimento a deficientes intelectuais - Ronny Santos/ Folhapress

Por conta do corte, sete profissionais, entre eles um psicólogo, já teriam sido dispensados, de acordo com uma uma mãe. 

"Esse respaldo do psicólogo é muito importante para nós", diz Carla Simone Padula, 57 anos, mãe de Pedro Padula Mendes, 22, que tem microcefalia, considerada de moderada a grave.

"Nossa luta é para que não se acabe instituições como a Nosso Lar. Lá, ensinam nossos filhos a serem mais independentes. Afinal, como vai ser a vida dessas pessoas depois sem os pais?", questiona Carla.

Paulo Rogério Medeiros, de 10 anos, tem síndromes de Down e de West --esta última, uma forma de epilepsia-- e, devido a isso, não fala e nem anda. 

"Ele está no Nosso Lar desde os dez meses. É o 'mascotinho' da turma. Eles [da instituição] conseguiram com que ele tirasse a fralda", afirma a professora Estefânia Fernandes Medeiros, 41, mãe de Paulo. Ela também manifestou sua apreensão com o possível corte no número de vagas. 

"Muitas instituições não nos recebem. Se perder esse apoio, não vamos ter a quem recorrer", afirmou.

Resposta

A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, gestão Bruno Covas (PSDB), afirma que não haverá corte no número de crianças atendidas pela "Nosso Lar", mas, sim, "readequações contratuais" referentes ”ao número de vagas ociosas; isto é, pagas pelo município, mas não ocupadas pela população".

Segundo a pasta, a medida vai melhorar "a eficiência dos gastos públicos", sem prejudicar o atendimento das crianças. 
 

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.