Cemitérios sofrem com falta de banheiros e de água no Finados

Visitantes reclamaram ainda de vandalismo e de poucos funcionários nas unidades

Laíssa Barros
São Paulo

Quem foi aos cemitérios de São Paulo neste sábado (2), Dia de Finados, se deparou com falta d’água, banheiros trancados, locais sem acessibilidade, vandalismo, poucos funcionários e pessoas trabalhando ilegalmente nos locais. 

Esse foi o cenário encontrado pelo Agora em três cemitérios. Em março, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), classificou os cemitérios como o pior serviço prestado pela prefeitura.

No da Vila Formosa (zona leste), o maior da capital, os visitantes que passavam pelo portão principal já encontravam cartazes nas portas dos banheiros trancados, que indicavam a falta de água. Muitas pessoas fizeram fila na administração para reclamar da situação.

Questionados pela reportagem, funcionários indicaram que banheiros químicos estavam disponíveis para os visitante em alguns pontos do cemitério. Eles ainda informaram que não sabiam o motivo da falta de água e também estavam sendo afetados pelo problema. “Não tem água nem para gente beber”, respondeu um das funcionárias.

“Acho uma falta de respeito com o cidadão. Bem no dia de finados, o dia mais cheio no cemitério, ele fazem isso com a gente”, queixa-se a aposentada Cláudia Lessa, 50 anos, moradora do bairro da Penha (zona leste). “Sou uma senhora com deficiência e não consigo usar banheiros químicos. Vou ter que esperar voltar para casa para poder ir ao banheiro", completou ela. 

Além da falta de água, era visível a precária zeladoria do local. Túmulos estavam revirados e vandalizados por toda a extensão do cemitério. Pessoas trabalhavam ilegalmente limpando sepulturas em troca de dinheiro dado por visitantes.

No cemitério Chora Menino/Santana (zona norte), o número de "ilegais" era maior do que o de visitantes. Pessoas reclamavam da falta de limpeza, já que o lixo acumulado era visível, e funcionários tentavam explicar que poucas pessoas trabalham neste setor no cemitério. 

"São duas pessoas para limpar tudo de segunda a sexta. Estamos sobrecarregados, por isso os parentes pagam outras pessoas para que façam o serviço", justificou um funcionário que não quis se identificar. 

Os visitantes ​só têm acesso há um banheiro no lugar, que fica na administração do cemitério. Banheiros químicos estavam espalhados pelo Chora Menino, mas também eram alvo de reclamação de idosos que encontram dificuldade para usá-los. "Tenho medo de cair", disse um deles. 

O cemitério da Consolação era mais o bem mais zelado entre os três visitados pelo Agora, mas os banheiros não tinham acessibilidade e o local também recorreu aos banheiros químicos para atender o público. "Ilegais" não foram vistos no local, o único que contava com agentes da GCM. 

Prefeitura diz que dia foi movimentado e tomou providências 

O Serviço Funerário do Município, da gestão Bruno Covas (PSDB), diz que para atender a grande demanda de visitantes no Finados, todos os 22 cemitérios da capital foram equipados com banheiros químicos. 

A prefeitura afirma ainda que a Sabesp enviou caminhão pipa com água potável para atender os munícipes e dar apoio aos locais cujas caixas-d’água não conseguem atender em dias de grande movimento.

Já a Guarda Civil Metropolitana diz que faz segurança dos cemitérios, por meio de rondas nos três períodos do dia, com viaturas e motos, com a finalidade de combater os crimes e garantir a segurança do patrimônio público. 

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