Descrição de chapéu Zona Leste

Alagados, bairros da zona leste de São Paulo cobram apoio

Moradores afirmam que Prefeitura de SP não esteve na região após as chuvas, o que a gestão Covas nega

Dois dias após a chuva intensa da última segunda-feira (10), moradores da zona leste da capital paulista ainda conviviam com inundações nesta quarta e reclamavam da falta de apoio da prefeitura, gestão Bruno Covas (PSDB), como em cheias anteriores.

Quem passou pelas ruas de bairros como Vila Itaim, Vila Seabra e Vila Aimoré, nos distritos de São Miguel Paulista e Jardim Helena, nesta quarta-feira (12) enfrentou ruas alagadas. 

Em outras inundações, a Defesa Civil montava bases para atender a população, distribuindo cloro, água potável e colchões, segundo disseram moradores. 

Além disso, havia entrega de atestados para quem não conseguia sair para trabalhar ou estudar. E caminhões drenavam a água. 

Desta vez, moradores ouvidos pela reportagem disseram não ter recebido auxílio, apesar de terem entrado em contato com a subprefeitura da região e com a Defesa Civil. 

A manicure Rose Oliveira, 40, precisou deixar sua residência por causa dos alagamentos. A última vez que a casa dela havia inundado foi em 2010, por isso a altura do imóvel foi aumentada, o erguendo em um metro em relação à rua. “Todo ano tem essa situação, mas cada vez fica pior”, afirma ela. A mãe da manicure tem dificuldade de locomoção e só conseguiu sair de casa depois que um vizinho apareceu com um barco para ajudar. 

“Minha casa virou um rio”, conta a cozinheira escolar Jane Cristina da Silva, 44. Onde ela mora, a água alcançou a altura de uma mesa, molhando móveis, geladeira, máquina de lavar, micro-ondas e o carro, que estava na garagem. "Até mantimentos foram perdidos", afirma ela, que espera a água baixar para procurar consertos e calcular o prejuízo.

Para ela, a enchente de 2020 e uma em 2009 foram as piores que já aconteceram. Ela conta que no ano passado a água também invadiu a casa, mas conseguiu salvar algumas coisas. “Dessa vez, não deu tempo”, afirma.

"Não sei o que estão esperando", reclama o líder comunitário Euclides Mendes, 49. Ele conta que apenas o Corpo de Bombeiros passou pela região. Na última segunda, os bombeiros resgataram quem estava ilhado. Segundo ele, as ruas continuam intransitáveis nesta quarta.

Mendes diz que o pôlder da Vila Itaim, obra que deveria evitar alagamentos, não suportou o volume de chuva e está cheio de água. Ele afirma também que o trecho do rio Tietê entre, a Penha e Itaquaquecetuba, não recebeu serviços de limpeza e desassoreamento em 2019, o que poderia evitar a enchente. “Onde moro não passa uma máquina”, diz.

Respostas

A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), diz que uma comissão formada por secretários municipais esteve nesta quarta (12) na região, visitando a área com o objetivo de avaliar e identificar locais para a distribuição de insumos, como água, kits de higiene e limpeza, cestas básicas, colchão e cobertor. E também para realizar cadastramento das famílias atingidas.

A nota diz que na região de São Miguel Paulista foram atendidas até esta quarta 235 famílias e entregues 640 colchões, 674 cobertores, 211 cestas básicas, 203 kits de higiene. "O serviço de assistência social permanece acompanhando as famílias", afirma.

A Subprefeitura São Miguel Paulista diz que os serviços de limpeza de córregos, galerias e bocas de lobo foram intensificados na região desde o final do ano passado, visando a prevenção das enchentes durante o período de chuvas no início do ano. A nota também afirma que foram intensificados os serviços de cata-bagulho, para evitar que as ruas ficassem tomadas por móveis e materiais de grande porte nas calçadas.

"Nos meses de dezembro de 2019 e janeiro deste ano, foi mantida a distribuição de cloro e as equipes de saúde passaram porta a porta informando sobre cuidados nos períodos de grande chuva", afirma. "No período de estiagem das chuvas, a administração regional dará início às obras de construção de um muro de contenção no córrego Lajeado. Já está em andamento o sistema de drenagem nas ruas Tite de Lemos e rua Tietê. O objetivo com estas obras é amenizar as consequências dos alagamentos na região."

"A Defesa Civil e as equipes da Subprefeitura estão atuando nos locais de alagamentos, acompanhando caso a caso as urgências para que medidas sejam tomadas. Atualmente, há um caminhão fazendo bombeamento na avenida Brás da Rocha Cardoso e outros dois na Rua Simão Rodrigues Moreira", diz.

A subprefeitura afirma que em 2019 reformou 1.364 metros de galerias e 816 bocas de lobo e postos de visita. "Também foram limpos 154.103 m² de áreas de córregos, com 11.246 toneladas de detritos retirados e limpos 4.013 metros de extensão de galerias e ramais."

O DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), do governo João Doria (PSDB), diz que o pôlder da Vila Itaim está em funcionamento e, em janeiro, quando choveu 178 milímetros na região, não registrou enchentes ao longo da área de 72,7 mil m² de abrangência. "De acordo com o INMET, o acumulado de chuva desta semana corresponde “o 2° maior valor de chuva em 24h para o mês de fevereiro em 77 anos”, afirma.

"O que está sendo realizado nesta etapa são serviços de paisagismo e complementares, que não interferem no funcionamento. É evitar confusão geográfica: a Vila Any, Vila Seabra e os demais endereços citados são bairros distintos e não faziam parte do projeto. Os locais fazem parte da várzea do rio, historicamente ocupadas de modo irregular, que inundam naturalmente em períodos chuvosos", afirma a nota.

O DAEE diz que em 2019, por meio do desassoreamento, foram retirados mais de 465 mil m³ de sedimentos, o que aprofunda o rio. "No geral, as equipes retiraram 635 mil metros cúbicos de sedimentos dos rios Tietê e Pinheiros, em 2019."

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