Mesmo com pandemia, ônibus continuam cheios na periferia de SP

Maioria dos passageiros não notaram diferença, mesmo com o risco do coronavírus

Quem precisou pegar ônibus municipal na manhã desta quinta-feira (19) na periferia de São Paulo teve que se espremer nos coletivos e ficar sujeito ao risco de infecção do Covid-19.

Passageiros da zona leste afirmaram que há menos pessoas utilizando os coletivos, mas os veículos continuam cheios. Eles também disseram que não encontraram álcool em gel, como determina o decreto da Prefeitura de São Paulo.

No Terminal Cidade Tiradentes, na zona sul de SP, diversas linhas seguem lotadas, apesar da pandemia de coronavírus - Rivaldo Gomes/Folhapress

No terminal Cidade Tiradentes, os ônibus estavam cheios, e havia três filas de passageiros aguardando para embarcar na linha 4313-10 (Terminal Cid. Tiradentes - Terminal Parque Dom Pedro 2º). Não havia um metro de distância entre as pessoas, como recomendam as autoridades de saúde.

A líder administrativa Maiara Estefani dos Santos, 20 anos, vai da Cidade Tiradentes, na zona leste, até o Paraíso, na zona sul, diariamente. Para a passageira da linha 3064-10 (Cidade Tiradentes - CPTM Guaianases), os ônibus não estão adequados para evitar a disseminação do vírus. “Só não vai ser um meio de contaminação quando parar de circular porque, tirando aqueles ‘poster’ de ônibus, não tem nada de diferente”, afirma Maiara.

A produtora Daniela Barros, 22 anos, costuma utilizar a linha 407L-10 (Barro Branco - Metrô Guilhermina Esperança), que circula na zona leste da cidade. Ela conta que houve uma redução significativa na quantidade de passageiros, mas durante o trajeto ainda é possível encontrar aglomeração de pessoas.
Passageiros também relataram lotações em outras linhas como 3026-10 (Vila Yolanda 2 - CPTM Guaianases), 3768-10 (Vila Yolanda - CPTM José Bonifácio), também na zona leste.

Na terça-feira (17), a gestão Bruno Covas (PSDB) declarou situação de emergência na cidade para evitar a disseminação do novo coronavírus. As medidas incluem higienização dos veículos e oferta de álcool em gel em terminais e na entrada e saída dos veículos.

Própria proteção

Para evitar a contaminação do coronavírus nos ônibus, passageiros carregam o próprio álcool em gel.
A auxiliar de limpeza Alaíde, 41, utiliza a linha 748R (Jardim João 23 - Metrô Barra Funda), na zona oeste, para trabalhar.

Ela conta que não tem visto higienização nos veículos que utiliza. “Se está tendo limpeza, é em outros lugares”, diz. Diante da pandemia de coronavírus, a moradora da zona oeste carrega o próprio álcool em gel na bolsa.

“Os ônibus vão continuar aglomerados enquanto tiver trabalhadores que precisem usar o transporte público para chegar ao trabalho”, afirmou a operadora de telemarketing, Kelly Lopes, 18 anos.
Kelly também não viu as medidas preventivas para a disseminação do vírus, como limpeza e avisos, em seu trajeto. Ela chama atenção para a quantidade de passageiros idosos que continuam utilizando os ônibus.

SPTrans diz que houve redução

A SPTrans, empresa responsável pelo transporte coletivo na cidade de São Paulo, disse que a estimativa até o momento é que a redução de passageiros nos ônibus municipais seja de 35%. “Desta forma, a frota poderá ser reduzida na próxima semana em aproximadamente mil veículos, o que corresponde a 7% do total transportado em todas as regiões”, afirmou a empresa em nota.

Sobre a limpeza, a SPTrans disse que empresas de ônibus estão providenciando a higienização dos veículos e encomendando álcool em gel. A reportagem também procurou o SPUrbanuss (sindicato das empresas de ônibus) mas não recebeu resposta até a conclusão desta edição.

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