Megaferiado começa com ruas cheias na periferia da capital paulista

Em Sapopemba, 2º no ranking com mais mortes por Covid-19, idosos jogavam dominó e baralho em praça

Fábio Munhoz
São Paulo

No primeiro dia do megaferiado em São Paulo, as ruas de bairros da periferia e o entorno de áreas de lazer, como o parque Ibirapuera, ficaram cheios de pessoas. Sem fiscalização, diversos comércios não essenciais abriram as portas nesta quarta-feira (20).

Em Sapopemba, segundo distrito com mais mortes na cidade (152 óbitos até 14 de maio), muitas pessoas faziam compras em mercados e formavam filas do lado de fora de bancos, que estavam abertos.

Frequentadores da praça Torquato Plaza, em Sapopemba (zona leste de SP), jogam baralho e dominó, na tarde desta quarta-feira (20), contrariando a recomendação de distanciamento social - Rivaldo Gomes/Folhapress

Na praça Torquato Plaza, grupos de idosos se aglomeravam em volta de mesas de concreto para jogar dominó e baralho. Alguns estavam com a máscara abaixada.

Questionados sobre o motivo de estarem ali, eles demonstraram ceticismo em relação às medidas de proteção contra o novo coronavírus. “Tem gente que pega isso até dentro de casa. Se tivermos que pegar, vamos pegar. Não tem jeito”, disse um aposentado que pediu para não ter seu nome revelado.

Em Cidade Tiradentes, que registrou 102 mortes, dezenas de ambulantes, alguns sem máscara, se espremiam na calçada próximo ao terminal de ônibus. “A gente precisa trabalhar, né? Eu me cuido como posso, mas não tenho como deixar de vender”, disse a vendedora de ovos Aparecida dos Santos, 51 anos.

Centenas de pessoas lotaram o entorno do parque Ibirapuera (zona sul de SP), que está fechado. Algumas famílias chegaram a fazer piquenique no gramado do lago do parque. Já no Brás, policiais militares circularam pelas ruas para evitar ações de ambulantes.

Resposta

Por meio de nota, a prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), diz que suas equipes estão executando “operações de fiscalização intensiva” durante todo o feriado.

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