Tanabi, no interior de SP, multa quem desperdiçar água

Morador que for pego lavando calçada pode ter de pagar R$ 272

São Paulo

A prefeitura de Tanabi (530 km de SP) criou uma multa no valor de R$ 272 para quem desperdiçar água durante o período de seca. O município tem pouco mais de 26 mil habitantes e está enfrentando problemas de abastecimento, situação que também está ocorrendo em cidades vizinhas da região noroeste do estado de São Paulo.

Segundo o SAAT (Serviço Autárquico Ambiental de Tanabi), a medida foi criada no mês passado para tentar conscientizar a população a fazer uso consciente do recurso hídrico. Equipes da companhia fazem um trabalho de fiscalização pela cidade para coibir práticas como lavagem de carros ou limpeza de calçadas com água.

Na primeira vez em que o infrator for flagrado desrespeitando a determinação, é emitida uma notificação. Se houver reincidência, os fiscais aplicam a multa.

A autarquia informa que o município está com aproximadamente 50% de déficit no abastecimento. A captação de água em Tanabi é feita de maneira subterrânea, utilizando aquíferos —espécie de reservatórios naturais que ficam embaixo da terra.

Homem lava calçada em rua da zona oeste de São Paulo (SP); no interior do estado, algumas cidades tomam medidas para evitar o desperdício - Zanone Fraissat - 7.fev.14/Folhapress

O engenheiro Antonio Carlos Zuffo, especialista em gerenciamento de recursos hídricos e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), explica que a estiagem reduz o nível dos lençóis freáticos, o que dificulta a captação.

"Uma das soluções seria cavar mais poços artesianos. O problema é que isso diminuiria a vazão nos poços já existentes", comenta o professor. Outra saída, diz Zuffo, poderia ser o aprofundamento dos poços. "Porém, isso aumenta os custos, já que teria que ter mais bombas para fazer a drenagem", explica.

Outros municípios da região utilizam aquíferos e estão passando por problemas semelhantes. É o caso de Bálsamo (517 km de SP), que está utilizando carros de som para alertar a população para que não cometa desperdícios.

Perto de Tanabi, São José do Rio Preto (496 km de SP) também está sofrendo com a estiagem. O Semae, órgão responsável pelo serviço de abastecimento da cidade, afirma que o município está sem receber chuvas desde o dia 28 de junho, quando houve precipitação de 9,9 milímetros.

Segundo o Semae, o nível de água na represa que abastece a cidade está 8 centímetros abaixo do que é considerado adequado. "Atualmente, o morador de Rio Preto está consumindo uma média de 250 litros de água por dia. O ideal são 180 litros por dia", diz a empresa.

Por conta disso, a prefeitura está considerando decretar um racionamento de água já nos próximos 20 dias. A estimativa da administração municipal é de que o rodízio afete até 40% da população.

Em 2014, no auge da crise hídrica do estado, a região noroeste de São Paulo foi fortemente atingida pela seca. Municípios como Mirassol (503 km de SP), Guararapes (591 km de SP), Mirandópolis (645 km de SP) e Santa Fé do Sul (670 km de SP) chegaram a ter racionamento.

Bauru

Em Bauru (346 km de SP), o DAE (Departamento de Água e Esgoto) informa que o rio Batalha, que abastece o município, está com nível de 3,06 metros, sendo que o ideal seria de 3,2 metros. A redução no volume fez a produção de água ser reduzida em 10%.

"A autarquia continua monitorando o sistema e realiza manobras para garantir o equilíbrio do abastecimento, mas é fundamental que a população faça uso consciente, sem desperdícios, evitando lavar calçadas, quintais e carros com mangueira, ou encher piscinas, por exemplo", diz o DAE, que ainda não fala em racionamento.

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