Devotos agradecem a Nossa Senhora a superação do coronavírus

Mesmo com restrições, fiéis pagam promessas no Dia da Padroeira

Aparecida, 12 de outubro de 2020. A estudante Cássia Leal, 25 anos, na passarela em Aparecida para pagar promessa pela recuperação da mãe que ficou 16 dias internada, alguns deles na UTI, com coronavírus. Foto: Tatiana Cavalcanti/Folhapress
A estudante Cássia Leal, 25 anos, na passarela em Aparecida para pagar promessa pela recuperação da mãe, que contraiu coronavírus - Tatiana Cavalcanti/Folhapress
Aparecida (SP)

Fiéis que foram a Aparecida nesta segunda-feira (12) pagavam promessas ajoelhados na passarela entre a Basílica Velha e o Santuário Nacional, mas em número bem menor do que anos anteriores. Alguns agradeciam após parentes terem superado o coronavírus.

A estudante Cássia Leal, 25 anos, era um deles. A jovem foi agradecer a recuperação da mãe, que contraiu Covid-19 e não sabia que a filha estava pagando promessa por ela. Com dores nos joelhos ao subir a passarela, Cássia conta que sua mãe, a comerciante Rosa Sousa Leal, 52 anos, foi internada duas vezes em abril por causa da doença.

No total, Rosa ficou 16 dias hospitalizada, sendo parte desse tempo na UTI. "No dia em que assinei a internação pela segunda vez, pedi a Nossa Senhora que a deixasse sair dessa com vida. E foi o que aconteceu. Devo muito à Santinha", diz Cássia.

Aparecida, 12 de outubro de 2020. A estudante Cássia Leal, 25 anos, na passarela em Aparecida para pagar promessa pela recuperação da mãe que ficou 16 dias internada, alguns deles na UTI, com coronavírus. Foto: Tatiana Cavalcanti/Folhapress
A estudante Cássia Leal, 25 anos, na passarela em Aparecida para pagar promessa pela recuperação da mãe que ficou 16 dias internada, alguns deles na UTI, com coronavírus - Tatiana Cavalcanti/Folhapress

A Covid-19 também foi motivo para o corretor Marcos Vinicius, 24 anos, descer de joelhos a passarela. "Faço este sacrifício pelos que perderam a vida ou o emprego nessa pandemia. Também pela tia da minha sobrinha, que teve a doença, ficou internada uns dias e agora está se recuperando", conta ele.

A aposentada Isabel Ferreira Cardoso, 57, saiu de Brasília para visitar a Basílica Velha, mas deu de cara com o portão fechado. "Faz parte da pandemia. Dá para entender. Mas vale a pena estar aqui por ela [Nossa Senhora]. Rezo a ela todos os dias porque foi ela quem me converteu. Venho para agradecer por isso também."

Por causa da pandemia, o Santuário Nacional limitou a entrada de visitantes e transmitiu missas pela internet. A primeira missa, apenas com trabalhadores do Santuário, representantes da Arquidiocese e colaboradores, teve público de 1.000 pessoas.

Na Basílica Velha, uma fila de cerca de 50 fiéis era formada na lateral do igreja, onde uma missa acontecia, para ver a réplica da imagem da santa. Apenas um por vez podia entrar.

Enquanto isso, na Basílica Nova, devotos eram divididos por barreiras físicas e sinalização no chão nos locais onde era permitida a visitação. Muitos se emocionavam e acabavam tocando a parede onde a imagem original é guardada, apesar das recomendações contrárias espalhadas pelo santuário.

"Na hora da emoção ao ver a santa nem pensei nisso, foi natural tocar a parede para estar mais perto dela", afirma a dona de casa Ivone de Oliveira, 53 anos.

A fila era organizada por barreiras até em locais para comprar itens como velas para promessas. Quem tirava a máscara ou a colocava no queixo era logo advertido por algum funcionário do complexo.

A empresária Leonice Macedo, 57 anos, na sala de velas de Aparecida - Eduardo Anizelli/ Folhapress

Com duas velas nas mãos, a empresária Leonice Macedo, 57 anos, acompanhava o neto Osmar Rei Lopes, 12 anos, na sala das velas. "A família toda vem de Cuiabá (MT) a Aparecida desde que ele nasceu, porque a gravidez da minha filha foi de risco e ele veio ao mundo prematuro. Mas hoje ele está aqui, forte e saudável", afirma a avó, apontando para o menino.

No mesmo local, o administrador Fábio Azevedo, 45 anos, também segurava velas por gratidão à Padroeira do Brasil. "Venho [a Aparecida] por causa das mudanças que ela proporcionou à minha vida. Só coisas boas aconteceram desde que me tornei devoto. Pois foi ela quem me deu juízo."

Azevedo diz ainda que estar em Aparecida é como estar conectado ao pai, morto há quatro anos. "Venho todo dia 12 de outubro desde a morte dele, porque ele era muito devoto. Temos essa conexão."

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.