Descrição de chapéu Natal alimentação

No Natal vegano, ceia só tem alimentos de origem vegetal

Adeptos do veganismo dizem que data, que celebra a vida, não combina com sofrimento e morte de animais

São Paulo

Se você é daqueles que acha que o Natal só é Natal se tiver um peru na mesa de jantar, pode se surpreender ao conhecer a alcachofrada, a quiche de queijo de castanha de caju ou o salpicão de frango vegetal. Essas são algumas das opções da ceia de veganos para as festas de fim de ano, e nenhuma delas contém ingredientes de origem animal.

"Existem outras formas de celebrar essas datas que não dependam do sofrimento animal e da degradação do meio-ambiente", afirma Mariana Bertelli, 31. Ela e a mãe fundaram, em 2017, a Jaca Bô-ah, especializada em comida vegana.

Explorar o potencial de vegetais, sem tentar imitar sabores da cozinha onívora, ela diz, é a filosofia do empreendimento. Os produtos, como os queijos e cremes, são produzidos artesanalmente no local.

Para Kamili Piccoli, 25, fundadora do Piccoli Cucina, o significado do Natal vai justamente ao encontro do que o veganismo acredita. "É um absurdo uma data que celebra a vida, um momento de encontro familiar que deveria ser de paz e harmonia, ter como prato principal um animal que sofreu a vida inteira para servir de alimento que não é nem saudável."

Segundo Camila Costal, 30, muitas pessoas já começam a refletir sobre o consumo animal. No Cheiro de Floresta, fundado por ela e pelo marido, a maioria dos clientes não é vegano. E as datas comemorativas acabam sendo uma oportunidade de apresentar a cozinha com base em vegetais para mais pessoas. "Fica muito evidente que sofrimento, dor e morte de animais não combinam com Natal."

Costal afirma que o sabor dos alimentos não se perde quando são excluídos os ingredientes de origem animal. No Cheiro de Floresta, a maior parte dos insumos é produzida na horta própria ou comprada de pequenos produtores locais de Atibaia, onde eles moram.

A partir deles, os sabores são ressignificados para colocar abaixo o mito de que a culinária vegana "não é boa ou sem tempero". Os pratos são vendidos congelados para preservar o sabor até o momento do consumo.

Mais que tentar convencer as pessoas no grito, oferecer uma "comida incrível" é a ferramenta de Piccoli para conquistar mais pessoas para a causa. "Dá para fazer uma comida extraordinária sem prejudicar a vida de outros seres". Com isso, ela diz, foi percebendo a reação positiva das pessoas a esses alimentos. No restaurante, ela serve culinária italiana, especialmente massas e pães.

A ideia não é substituir, mas criar novas opções e ampliar o horizonte da alimentação, afirma Bertelli. Desfrutar a comida de forma criativa é também uma forma de celebrar o amor, a união e, ainda mais, a vida.

A cozinha do projeto Jaca Bô-ah, que produz comidas veganas e está preparando um menu especial para o fim de ano - Karime Xavier / Folhapress

Preconceito é etapa a ser vencida

"No começo, nunca é um processo tranquilo, temos que ouvir as piadinhas. Até hoje isso acontece, mas com o tempo a aceitação se tornou muito boa", afirma Camila Costal, 30, sobre a aceitação de outras pessoas da escolha alimentar que ela fez.

Costal, do Cheiro de Floresta, é vegetariana desde os 11 anos e vegana desde os 20. Seu marido e o filho, de 9 anos, seguem a mesma filosofia. Hoje, os Natais com o restante da família tendem a ser tranquilos, de acordo com ela. "Se vamos participar, eles já não colocam a carne na mesa, evitam esse tipo de situação em respeito a nós."

No Natal da família de Mariana Bertelli, 31, o pai é o único que consome produtos de origem animal --a mãe e a irmã também são veganas. No início, ela diz, houve estranhamento pela mudança de comportamento, mas nunca a ponto de existir conflito.

Hoje ele é um dos maiores apoiadores do projeto: até presenteia amigos com produtos da Jaca Bô-ah. "Essa ainda não é a causa dele, mas ele abraçou a nossa." Sobre quem não entende o veganismo, ela diz que "cada um tem seu tempo e não dá para convencer todo mundo no grito." A solução é mostrar a filosofia de outras formas.

Já Kamili Piccoli, 25, do Piccoli Cucina, diz ter uma história "atípica": nunca enfrentou muito preconceito. Vegana também desde os 11 anos, ela diz que as datas comemorativas, quando precisava estar reunida com família e amigos, foi o que a fez investir na cozinha.

"Felizmente, por eu me dedicar tanto e proporcionar uma culinária incrível, nunca fizeram piadas. As pessoas sempre ficam admiradas." O Natal, ela diz, é uma oportunidade.

"Esse é um momento em que as pessoas se encontram mais com a família, muita gente acaba levando nossos produtos ou cozinhando coisas novas. É uma ótima oportunidade para mostrar isso: eu não me alimento só de alface."

Como encomendar

Cheiro de Floresta
www.instagram.com/cheirodefloresta
(11) 97467-8403

Jaca Bô-ah
www.instagram.com/jacaboah
(11) 99818-9988

Piccoli Cucina
www.instagram.com/piccolicucina
(11) 91002-5494

Assuntos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.