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PM prende no interior de SP dois irmãos por suspeita de matar família cigana

Escondidos em Limeira, eles eram foragidos da Justiça do Distrito Federal; defesa diz que parentes são inocentes

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São Paulo

Policiais militares prenderam nesta quinta-feira (2) dois irmãos suspeitos de matar três pessoas e tentar assassinar ao menos cinco, todos de uma família rival a dos detidos. Eles estavam em um condomínio em Limeira (151 km de SP). Maciel Gama Queiroz, 43 anos, e Vanderlan Gama Queiroz, 44, eram foragidos da Justiça do Distrito Federal.

No pedido de prisão preventiva dos dois irmãos, de 6 de janeiro deste ano, o juiz plantonista do Tribunal de Justiça do DF, Gustavo Fernandes Sales, afirmou que há na investigação indícios de que a dupla integre um "grupo de extermínio."

"O Vanderlan e o Maciel são vítimas, pois a outra família atribui aos meus clientes todos os problemas deles, que contam com inimigos em todo o Brasil", afirmou o advogado Misael Santana Guimarães, que defende os irmãos presos. "Meus clientes nunca mataram ninguém, nem mandaram matar, e estavam em São Paulo para fugir da outra família, que matou e esquartejou um irmão deles em 2017", afirmou.

O defensor dos irmãos Queiroz acrescentou que irá solicitar a liberdade provisória da dupla na próxima semana.

Viaturas da Rota, da Polícia Militar de São Paulo; PMs do batalhão prenderam no interior de São Paulo dois irmãos suspeitos de matar integrantes de família rival - Zanone Fraissat 2.jun.20/Folhapress

Os dois também são suspeitos de crimes ao menos no Tocantins, no Distrito Federal e na Bahia, onde há processos judiciais em andamento contra eles.

Na decretação da prisão, o magistrado do DF explica que a família dos irmãos presos em Limeira, de origem cigana, mantém uma rixa com outro grupo familiar de mesma tradição, "sendo que cada lado é suspeito de assassinar os rivais".

Após o homicídio de um irmão dos dois presos, ainda de acordo com a Justiça do DF, em 8 de agosto de 2017, na Bahia, eles buscaram vingança com uma série de assassinatos, desde 2018, contra integrantes da família inimiga —dois em 2018 e outro em janeiro deste ano, além de uma tentativa de homicídio em 2020.

A rixa entre as famílias, acrescentou o advogado dos Queiroz, surgiu após ambas as famílias se envolverem na venda de uma fazenda no Nordeste.

Iranildo Gama Queiroz, irmão dos dois presos em Limeira, teria sido sequestrado por "uma quadrilha de ciganos de alta periculosidade", segundo a Justiça de Tocantins. Registros policiais afirmam que um resgate de R$ 5 milhões foi exigido. Porém, foram pagos R$ 500 mil e o rapaz acabou morto, de forma "bárbara", ainda de acordo com a Justiça.

Segundo a Polícia Civil de Goiás, que também realizou investigações sobre a disputa familiar, Iranildo foi morto, esquartejado e "teve a cabeça enviada para seu pai", de acordo com trecho de nota.

"Autores e vítima [...] fazem parte de uma família cigana cujos membros vêm se matando há gerações em diversos estados da Federação, onde se enfrentam quando se encontram", afirmou ainda a polícia goiana, acrescentando que a desavença conta com "dezenas de mortos" nos estados da Bahia, Tocantins, Maranhão, Rondônia e no Distrito Federal.

"Com efeito, em tese, os representados [irmãos Queiroz] atentaram contra a vida de diversas vítimas, inclusive, com a consumação do homicídio em diversas ocasiões, demonstrando que não temem a reprimenda estatal", diz trecho do parecer do juiz do DF.

O magistrado reforça ainda que as famílias "são rivais" e que ambas "procuram constantemente vingança por mortes de familiares."

Maciel teve a prisão temporária decretada, por suspeita de um homicídio e quatro tentativas de assassinato contra integrantes da família inimiga, em 27 de junho de 2018, em Palmas (TO). A Justiça porém concedeu-lhe liberdade provisória. Desde então, o suspeito se uniu ao outro irmão, para dar continuidade aos conflitos com a família rival, de acordo com a polícia.

Em relato à polícia, ele afirmou ter sido vítima de uma tentativa de homicídio, juntamente com a mulher e cunhada, quando os três estavam em Nova Odessa (122 km de SP), em 2 de julho de 2019. Maciel foi ferido com três tiros.

O homem acrescentou, ainda em seu depoimento, ter reconhecido um dos atiradores como envolvido na morte de seu irmão, sequestrado em 2017.

Por serem da tradição cigana, segundo a Justiça de Tocantins, os suspeitos migram constantemente pelo Brasil.

O Tribunal de Justiça do DF, da mesma forma que a Promotoria, não deram mais detalhes sobre o processo, alegando que ele tramita em segredo de Justiça.

Prisão no interior de SP

Policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), da PM paulista, localizaram e prenderam os dois irmãos em Limeira. Ambos, segundo a polícia, tentaram fugir, correndo até os fundos da casa onde estavam, mas sem sucesso.

No imóvel, no bairro Jardim Elite, os policiais encontram R$ 193 mil além de documentos falsos, cada qual com nomes distintos, que segundo a polícia seriam usados pela dupla de irmãos.

Os dois acabaram levados ao 2º DP de Limeira, onde foram indiciados por falsificação de documento público, além de constatem como capturados, pelo cumprimento aos mandados de prisão contra os dois.

O dinheiro foi apreendido, pois os irmãos não conseguiram comprovar a origem do montante.

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