Lenha na fogueira

Se o governo Jair Bolsonaro (PSL) é cercado de polêmicas, o Ministério da Educação segue imbatível nesse quesito. A começar pelo atual ministro, Abraham Weintraub --o anterior, Ricardo Vélez Rodríguez, durou pouco no cargo e também deixou um rastro de confusões.

Weintraub não parece ter como prioridade discutir planos para melhorar o ensino público. Até agora se mostrou mais preocupado com provocações e discussões que não levam a nada.

Há menos de dois meses na pasta, ele já enfrentou dois dias de protestos de rua contra o corte de verbas nas universidades. Não há dúvida de que falta dinheiro no Orçamento, mas seria muito melhor se ele procurasse um entendimento em vez de partir para o ataque.

Seguindo a linha do presidente, que chegou a chamar os manifestantes de "idiotas úteis", Weintraub fez um vídeo acusando professores de coagir alunos a participarem dos atos, como se eles não fossem capazes de decidir isso sozinhos.

E não parou por aí: no protesto de quinta-feira (31), de forma autoritária, publicou um comunicado em que queria proibir até mesmo os pais de divulgarem a manifestação em horário escolar. 

Para piorar, deu uma de canastrão ao aparecer em outro vídeo, de guarda-chuva na mão, como se estivesse se protegendo do que classificou de chuva de fake news --em referência à acusação de que teria retirado a grana para a reconstrução do Museu Nacional, no Rio.

Bolsonaro e Weintraub insistem na tese de que esquerdistas infiltrados nas universidades fazem uma espécie de lavagem cerebral nos estudantes. 

Se continuarem a adotar esse tom agressivo, é provável que venham a enfrentar novos e maiores protestos.

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