Vandalismo em escola começou com uma porta fechada

Aluna conta o que motivou alunos a ofenderem professora e atirarem carteiras

Elaine Granconato

Uma porta fechada, repentinamente, teria iniciado a confusão na sala de aula do 7º ano A do ensino fundamental, na Escola Estadual Maria de Lourdes Teixeira, em Carapicuíba (Grande São Paulo), quando alunos retornavam do intervalo após aula vaga, por volta das 10h, no dia 30 de maio.

Aluna de 12 anos estava na sala de aula onde colegas ofenderam professora, e atiraram cadernos, carteiras e cadeiras na Escola Estadual Maria de Lourdes Teixeira - Rivaldo Gomes/Folhapress

Uma professora de 45 anos acabou agredida verbalmente por alunos, que arremessaram livros, carteiras e cadeiras. Dez adolescentes foram levados para a delegacia e três deles estão apreendidos em uma unidade da Fundação Casa. Um vídeo foi gravado com as cenas de vandalismo. A docente, que foi internada após ter um surto, recebeu alta nesta quinta-feira (6).

"Não foi a gente que fechou a porta, mas alunos de outra classe. Só que a professora acusou os meninos e começou o bate-boca", contou uma das alunas da turma, de 12 anos, que estava na sala.
Segundo a estudante, a porta desta sala, quando fechada, travava do lado de dentro. Por isso, a professora de português e de inglês costumava mantê-la aberta ao dar aula.

Logo na sequência, a professora começou a pedir silêncio, uma vez que alguns meninos brincavam na hora da aula, segundo a aluna. "Um deles falou que não ia fazer a lição. Foi quando a professora disse que iria chamar a mãe dele. Aí, ele ficou louco e quis sair da sala, mas ela impediu."

De repente, segundo o relato, os meninos começaram a arremessar cadernos e livros pelo ar. "Isso é normal entre eles", disse.

Ela afirmou ter ficado sentada, sem entender nada quando carteiras começaram a ser arremessadas e a confusão explodiu.

"Da minha sala no andar de cima deu para ouvir o barulho", disse uma professora da escola.

Problemas

A Escola Estadual Maria de Lourdes Teixeira, que registrou atos de vandalismo entre alunos de 12 e 16 anos, possui série de problemas estruturais, inclusive de falta de segurança.

Os muros mais baixos permitem que pessoas pulem pela quadra de esportes da, quando não passam por um buraco estrategicamente feito na parede de fundos da escola.

Buraco no muro da Escola Estadual Maria de Lourdes Teixeira, em Carapicuíba - Rivaldo Gomes/Folhapress

"Não tem dia nem horário. Isso é direto. E fazem coisas que não prestam", disse a comerciante Joana Tavares Lima, 35 anos, mãe de um aluno de 12 anos.

A reportagem do Agora constatou na tarde desta quinta-feira jovens pulando o muro para dentro da escola.

Alunos e funcionários disseram que câmeras de segurança internas --não souberam informar o número exato-- foram danificadas recentemente por aluno do 6º ano do ensino fundamental. Os equipamentos não foram consertados.

Outra mãe de alunos, do 6º ano e do 3º do ensino médio, reivindicou uma ronda efetiva dentro da unidade.

"A escola sempre teve histórico de violência, mas agora fugiu do controle."
Nesta quinta-feira (6), segundo alunos, professores de português, educação física, história e ciências faltaram. 

Na tarde desta quinta, ocorreu uma reunião com os pais e os alunos envolvidos na confusão da semana passada. Na saída, nenhum quis falar com a reportagem.

Resposta

A Secretaria Estadual de Educação, da gestão João Doria (PSDB), disse que, em relação à estrutura do muro, a equipe gestora da escola realizou "obras de reparo repetidas vezes e vândalos voltaram a quebrá-lo". Novo serviço será realizado nos próximos dias. A direção da escola solicitou reforço da Ronda Escolar.
Quanto à reunião entre direção, pais e alunos suspeitos do vandalismo, a pasta não respondeu. Apenas se limitou a reiterar que "o processo de transferência está sendo definido ao longo desta semana".

Sobre a falta de professores, a secretaria admitiu que oito docentes não compareceram, mas disse que "as turmas foram assumidas por professores substitutos".

 
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